Lira adquire jato de um milhão de dólares em parceria com empresário do agronegócio
Deputado Arthur Lira adquire jatinho em parceria com empresário do setor agrícola.
O deputado federal Arthur Lira, após encerrar sua presidência na Câmara em 2025, adquiriu um jatinho por US$ 1 milhão, equivalente a R$ 5,7 milhões. A compra foi realizada em parceria com José Augusto Araújo Sousa Junior, empresário do ramo de máquinas e equipamentos agrícolas.
A aeronave foi registrada em nome de uma sociedade anônima, o que garante a ocultação da identidade dos sócios. Lira e Sousa Junior confirmaram serem os proprietários da ACZ Aviação, empresa criada logo após o término do mandato de Lira.
Segundo os sócios, a aeronave foi adquirida em regime de cotas para uso compartilhado, e garantiram que não há relação com contratos públicos. Lira afirmou que todos os impostos foram pagos e que a compra foi realizada de forma legal.
A ACZ Aviação comprou o jatinho por um valor significativamente inferior ao que foi pago pela antiga proprietária, a Atrium Participações, que adquiriu a aeronave por R$ 13 milhões em abril de 2024. A venda para Lira ocorreu em abril de 2025, por R$ 5,68 milhões, devido à necessidade de manutenção e troca de peças.
Nas eleições de 2022, Lira declarou à Justiça Eleitoral possuir bens no valor de R$ 5,965 milhões, o que corresponde a R$ 7 milhões em valores corrigidos pela inflação.
A Atrium é uma holding de propriedade dos irmãos Luiz Felipe e Ruy Guerra de Andrade Hernandez, conhecidos por sua construtora de luxo em Brasília. A empresa destacou que durante o período de posse da aeronave, não houve qualquer tipo de utilização por Lira e que não existem interações entre os sócios da Atrium e o deputado.
O jatinho adquirido é um Raytheon Aircraft 400A, avaliado entre R$ 10 milhões e R$ 35 milhões. Com capacidade para até oito passageiros, a aeronave é reconhecida por sua alta velocidade de cruzeiro, superando 800 km/h, e possui um alcance de 2.300 km, permitindo voos diretos entre Brasília e Maceió.
Cada voo entre as duas cidades custa cerca de R$ 11 mil apenas em combustível, sem contar taxas e contratação de pilotos. O aluguel de uma aeronave semelhante em empresas de táxi aéreo pode custar em torno de R$ 220 mil por deslocamento.
A descoberta da aquisição da aeronave ocorreu após a verificação de que Lira não utilizava passagens de voos comerciais, o que lhe daria direito a reembolsos pela Câmara. Registros de voos realizados entre Brasília e Maceió em 2025 também foram obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação.
Em 2025, o jatinho fez 44 voos entre Maceió e Brasília, com um exemplo sendo em 10 de março, quando Lira chegou à capital federal vindo de sua cidade natal.
A ACZ Aviação, inicialmente registrada como AFL Ltda, foi fundada por dois advogados especializados em criação de empresas. Após a mudança de nome e aumento de capital, a empresa passou a ser uma sociedade anônima, o que oculta a identidade dos sócios.
Os advogados que fundaram a empresa venderam-na para os atuais donos, mas não revelaram a identidade dos compradores. A advogada Maria Claudia Bucchianeri Pinheiro, indicada por Lira para um cargo no Tribunal Superior Eleitoral, foi a primeira diretora da ACZ, mas foi substituída por Sousa Junior após um mês.
José Augusto, que também é dono de uma outra aeronave, afirmou que a ACZ foi criada para uso compartilhado entre acionistas, com rateio de despesas. Ele ressaltou que a operação é comum no setor e que Lira utiliza a aeronave de forma legítima.
Lira defendeu a legalidade da compra, afirmando que a aeronave é de 20 anos e está devidamente declarada em sua declaração de Imposto de Renda. Ele também mencionou que sua relação com José Augusto é de amizade pessoal.
Durante sua presidência, Lira tinha acesso a jatos da Força Aérea Brasileira para seus deslocamentos. Aliados do deputado comentam que a notoriedade do cargo pode trazer riscos de constrangimentos em voos comerciais, justificando o uso de sua própria aeronave.
