Voyager continua a funcionar com tecnologia de 1977 no espaço
Tudo sobre a missão Artemis 2 e a evolução dos sistemas computacionais na exploração espacial
Enquanto a missão Artemis 2, com a nave Orion, realiza uma jornada de 10 dias ao redor da Lua, um aspecto crucial das operações espaciais se destaca: a dependência de sistemas computacionais, tanto novos quanto antigos, que são essenciais para a viabilização dessas missões.
Apesar dos avanços tecnológicos significativos da NASA, equipamentos desenvolvidos há várias décadas ainda desempenham um papel vital. Exemplos notáveis são as sondas Voyager 1 e 2, lançadas em 1977, que continuam ativas no espaço interestelar, mesmo utilizando hardware que seria considerado obsoleto hoje.
Um vídeo recente revela a infraestrutura que dá suporte às sondas Voyager. As imagens mostram o interior do Laboratório de Propulsão a Jato, na Califórnia, onde computadores do tamanho de geladeiras, fabricados por empresas como Univac e IBM, ainda são utilizados. O material destaca o uso de cartões perfurados e unidades de fita magnética, além de um centro de comunicação equipado com telefones e monitores, descrito por um engenheiro como “o coração da operação”.
Esses sistemas antigos são responsáveis por monitorar a segurança operacional das sondas, que agora estão a mais de 16 bilhões de milhas da Terra. Cada sonda Voyager possui três sistemas computacionais, totalizando apenas 69,63 kilobytes de memória, um espaço extremamente limitado, que é menor do que o necessário para armazenar um arquivo JPEG comum.
Devido a essas limitações, as sondas reescrevem constantemente dados antigos após a transmissão. A comunicação com a Terra ocorre a uma taxa de apenas 160 bits por segundo, muito inferior à velocidade das conexões dial-up, que operam a partir de 20.000 bits por segundo. Para captar sinais cada vez mais fracos, a NASA utiliza suas maiores antenas disponíveis, mantendo as Voyagers operacionais mesmo após falhas em componentes ao longo do tempo.
Em contraste, os sistemas da nave Orion, utilizada na missão Artemis 2 e desenvolvida pela Lockheed Martin, representam um avanço significativo. O poder computacional da Orion é 20 mil vezes superior ao das missões Apollo e 25 vezes maior que o da Estação Espacial Internacional.
Os computadores da Orion se comunicam com outros sistemas por meio de ethernet gigabit, e todos os sistemas críticos são triplicados para garantir maior confiabilidade durante a missão. Essa evolução tecnológica reflete não apenas os avanços em hardware, mas também a crescente complexidade e ambição das missões espaciais atuais.
