Feminicida é condenado a 72 anos de prisão por morte por queimadura em Gravataí
Homem é condenado a 72 anos de prisão por feminicídio em Gravataí
A sentença de 72 anos de prisão em regime fechado foi imposta a um homem pelo assassinato de sua ex-companheira e por tentar matar os três filhos dela. O crime ocorreu em 3 de agosto de 2021, em Gravataí, na Região Metropolitana de Porto Alegre, e o julgamento foi encerrado nesta quarta-feira (8).
A condenação inclui uma indenização mínima de 50 salários-mínimos às vítimas, que na época eram adolescentes e jovens. Embora o réu, atualmente com 42 anos, tenha a possibilidade de recorrer, ele permanecerá detido.
O júri popular começou na terça-feira (7) e foi presidido pela juíza Mariana Arantes Ribeiro Landin. Durante a sessão, a Promotora de Justiça Priscilla Raminelli Leite Pereira representou o Ministério Público, enquanto os advogados Antenor Colombo Neto e Luiz Fernando Rodrigues defenderam o acusado. O julgamento contou com os depoimentos de duas vítimas e sete testemunhas.
O crime ocorreu no apartamento da família, localizado no bairro Santa Cruz, onde o homem lançou combustível sobre Aura Tamaris de Vargas, de 37 anos, e ateou fogo. O ato foi motivado pelo sentimento de posse do réu, que não aceitava o término do relacionamento.
O incêndio ocorreu na frente dos três filhos da vítima, que ficaram em situação de risco devido à porta do imóvel estar trancada, impedindo a fuga. Aura sofreu queimaduras graves em diversas partes do corpo e faleceu 23 dias após o ataque.
Considerações
O Ministério Público apresentou a tese de homicídio quadruplamente qualificado, que abrangeu o motivo torpe, o uso de fogo, a dificuldade de defesa e o feminicídio, além de três tentativas de homicídio qualificado, uma delas com aumento de pena por ter atingido uma vítima menor de 14 anos.
A juíza destacou que o crime foi cometido em um momento em que a vítima estava vulnerável, demonstrando a gravidade da ação do réu. A magistrada também ressaltou as consequências devastadoras do crime para os filhos, que perderam a mãe de forma abrupta e violenta.
Sobre o histórico do réu, a juíza mencionou registros de violência doméstica e familiar, evidenciando um padrão de comportamento agressivo. Mesmo após ser preso, o acusado tentou se comunicar com uma ex-companheira, resultando em uma medida protetiva contra ele devido a ameaças.
