Associação da PF finaliza contrato com advogado investigado em operação

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ADPF encerra contrato com escritório de advocacia após investigações.

A ADPF (Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal) anunciou o término de seu contrato com o escritório de advocacia de Nelson Wilians, decisão que foi tomada em outubro de 2025, um mês após a firma ter sido alvo de uma operação de busca e apreensão.

A informação foi comunicada aos associados recentemente, em um contexto de transição de gestão da associação. O comunicado destaca a necessidade de atualização dos dados de causas individuais pelos associados até 13 de abril. O contrato com o escritório de Wilians perdurou por 14 anos.

A associação informou que, em busca de um atendimento jurídico mais eficiente, firmou um novo contrato com o escritório Barreto e Dolabella a partir de outubro de 2025.

O escritório de Nelson Wilians foi contatado para comentar sobre o encerramento do contrato, mas não houve resposta até o fechamento desta edição. O texto será atualizado caso uma manifestação seja recebida.

De acordo com a ADPF, o escritório anterior lidava com causas individuais dos associados. A nova gestão, empossada em dezembro de 2025, decidiu centralizar essas demandas em um único escritório, visando maior controle e eficiência na gestão das relações entre associados e advogados.

A nota oficial da ADPF reafirma seu compromisso com a transparência e a boa gestão, enfatizando que as decisões são tomadas em benefício da entidade e de seus membros.

Entenda o caso

O escritório de Nelson Wilians é um dos mais renomados do Brasil. O sócio-fundador enfrentou uma busca e apreensão em setembro de 2025, autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça. A Polícia Federal havia solicitado a prisão preventiva do advogado devido à transferência suspeita de R$ 28 milhões a um empresário investigado por fraudes relacionadas a descontos do INSS.

Na mesma decisão, o ministro também autorizou a prisão de Maurício Camisotti, suposto líder do esquema, e do lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “o careca do INSS”.

Em sua análise, o ministro Mendonça não encontrou indícios suficientes que justificassem o risco de fuga ou obstrução das investigações por parte de Wilians. No entanto, foram autorizadas buscas em endereços relacionados ao advogado, resultando em 13 mandados de busca e apreensão cumpridos em São Paulo e no Distrito Federal.

Relatos indicam que, durante as buscas na residência de Wilians, foram encontradas obras de arte valiosas, incluindo quadros de Di Cavalcanti e objetos de luxo. A defesa do advogado alegou que sua relação com Camisotti era estritamente profissional e legal, e os valores transferidos estavam relacionados à aquisição de um terreno próximo à sua residência.

Os advogados de Wilians enfatizaram que as medidas tomadas eram de natureza investigativa e não implicavam qualquer culpa ou responsabilidade por parte do advogado.

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