Resultados do Enamed evidenciam a necessidade urgente da prova de proficiência

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Resultados do Enamed 2025 revelam problemas sérios na formação médica no Brasil.

Os resultados do Enamed 2025 trazem à luz uma realidade preocupante sobre a formação médica no Brasil. Pela primeira vez, o país possui um retrato abrangente e objetivo da qualidade dos cursos de Medicina, e os números são alarmantes. Mais de 30% das instituições avaliadas obtiveram conceitos insatisfatórios, indicando a incapacidade de garantir uma formação mínima adequada aos futuros médicos.

O Enamed avaliou 351 cursos, abrangendo mais de 96 mil estudantes em 225 municípios, o que confere uma representatividade nacional que impossibilita qualquer tentativa de minimizar a gravidade da situação. O problema não é restrito a uma única região ou estado, mas sim um fenômeno estrutural que se espalha por todo o território nacional. A rápida expansão de cursos de Medicina, especialmente na rede privada, ocorreu sem planejamento adequado, sem a exigência de hospitais de ensino e sem a infraestrutura necessária para uma formação de qualidade.

Nos últimos anos, o Brasil adotou uma política de expansão da formação médica, acreditando que aumentar o número de vagas resolveria os problemas de acesso à saúde. Contudo, os dados atuais mostram que, embora mais médicos tenham se formado, muitos não receberam a formação adequada. Essa lógica de priorizar a quantidade em detrimento da qualidade traz consequências sérias, especialmente em um campo tão crítico como a Medicina.

É alarmante que, apesar dos resultados preocupantes, cursos mal avaliados continuam a operar, e os estudantes seguem sua trajetória, formando-se e obtendo registro profissional sem uma avaliação rigorosa. O sistema atual não possui mecanismos que avaliem a competência do médico antes do exercício pleno da profissão, permitindo que todos se formem independentemente da qualidade de sua formação.

A maioria dos recém-formados não opta por residência médica, seja pela falta de vagas ou por escolha pessoal, e muitos começam a atuar em unidades básicas e hospitais, especialmente nas regiões mais carentes do país. Essa situação implica que a população mais vulnerável seja atendida por profissionais que o próprio sistema reconhece como mal formados.

Diante desse cenário, surge a necessidade de implementar o Exame Nacional de Proficiência em Medicina, o Profimed, que está previsto no Projeto de Lei nº 2.294/2024 em tramitação no Senado. Essa proposta não é uma reação emocional, mas uma resposta institucional a uma lacuna regulatória que permite o exercício da Medicina sem avaliação profissional adequada ao final da graduação.

O Profimed visa garantir que os médicos recém-formados possuam conhecimentos e habilidades mínimas para exercer a Medicina com segurança e ética. Não se trata de criar barreiras ao acesso à profissão, mas de estabelecer um padrão mínimo que reflita a responsabilidade exigida na prática médica.

A responsabilidade pela aplicação da prova ao Conselho Federal de Medicina é uma decisão técnica. O CFM é o órgão responsável por fiscalizar o exercício profissional e proteger a sociedade. O Profimed se concentra na prática médica e na responsabilidade dos profissionais em relação aos pacientes, funcionando como uma defesa da população e valorizando os médicos que se dedicaram a uma formação sólida.

Defender a criação do Profimed é, portanto, uma questão de proteger os bons médicos e, acima de tudo, os pacientes, que confiam que o sistema garantiu sua segurança e bem-estar. O Enamed confirmou a existência de um problema grave e mensurável, e a discussão agora não é técnica, mas política. O Brasil precisa decidir se continuará a ignorar a qualidade da formação médica ou se assumirá a responsabilidade de garantir que os médicos estejam adequadamente preparados para o exercício da profissão.

Como presidente da Frente Parlamentar Mista da Medicina, continuarei a trabalhar para que o Congresso Nacional aborde essa questão com seriedade e coragem. Na saúde, a omissão tem um custo elevado, frequentemente pago com sofrimento e vidas que poderiam ser salvas.

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