Risco-país da Argentina atinge menor nível desde 2018, com queda para 493 pontos
Indicador de risco-país da Argentina atinge menor nível em anos, refletindo confiança dos investidores.
O índice de risco-país da Argentina, calculado pelo JP Morgan, caiu para 493 pontos-base, marcando a primeira vez que o indicador rompe a barreira dos 500 pontos desde junho de 2018. Essa redução é um sinal positivo da confiança dos investidores na capacidade de pagamento do país, o que pode facilitar futuras captações internacionais.
A diminuição do risco-país ocorre após três semanas de crescimento nas reservas do Banco Central da República Argentina (BCRA), que agora estão no maior nível desde 2021. Desde 5 de janeiro, o BCRA adicionou US$1,017 bilhão às suas reservas, enquanto o risco-país acumulou uma redução de 78 pontos, alcançando o valor mais baixo desde 11 de junho de 2018, quando o indicador estava em 487 pontos-base.
O índice de risco-país é um termômetro que mede o prêmio exigido pelos investidores para a compra de títulos soberanos argentinos em comparação aos títulos do Tesouro norte-americano, considerados ativos de baixo risco. A queda desse indicador sugere um custo de captação menor, refletindo uma confiança crescente dos investidores e contribuindo para o retorno gradual da Argentina ao mercado internacional de dívida, com uma emissão já realizada em dezembro de 2025.
Desde 2018, a Argentina havia interrompido a emissão de dívida no mercado internacional, enfrentando uma crise cambial e de confiança que elevou os custos de captação e diminuiu o interesse dos investidores externos por títulos argentinos. A queda do risco-país abaixo de 500 pontos-base também teve um efeito positivo na Bolsa de Buenos Aires, que subiu 2,7%, além de impulsionar as ações argentinas negociadas em Nova York.
O que explica a queda
Diversos fatores podem ter contribuído para a redução do índice risco-país argentino, incluindo:
- a compra diária de dólares pelo BCRA;
- a valorização dos títulos soberanos do país.
A política fiscal implementada pelo atual presidente, que é bem recebida por muitos investidores, também desempenha um papel importante. Para contextualizar, no final de 2023, quando o presidente assumiu, o risco-país estava cerca de 1.400 pontos mais elevado. A menor pontuação registrada em dezembro daquele ano foi de 1.815 pontos, apenas quatro dias após a posse do presidente.
