Cemaden aponta para mais de 80% de chance de ocorrência do El Niño na segunda metade de 2026
El Niño pode impactar a agricultura brasileira em 2026 com riscos significativos.
Uma possível ocorrência de El Niño na segunda metade de 2026 gera preocupações no setor agrícola. Estimativas apontam que as chances do fenômeno se consolidar ultrapassam 80%, com indícios de um evento de grande intensidade.
Especialistas alertam que um fenômeno climático distante pode influenciar diretamente o sucesso ou o fracasso de toda uma safra. O impacto do El Niño é significativo e suas consequências podem ser severas para a produção agrícola do país.
El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial. Quando esse aquecimento excede aproximadamente 2 °C acima da média, configura-se o chamado “super El Niño”, um evento que provoca mudanças climáticas globais e afeta a produção agrícola de forma direta.
Efeitos do El Niño no Brasil
No Norte e Nordeste do Brasil, há um risco elevado de secas e estresse hídrico, com implicações negativas para pastagens e lavouras. No Centro-Oeste, a irregularidade das chuvas pode prejudicar o plantio da soja e reduzir a produtividade do milho safrinha.
Na região Sul, o excesso de precipitações pode dificultar a colheita e comprometer a qualidade dos grãos. No Sudeste, o cenário é mais instável, apresentando alternâncias entre calor intenso e chuvas mal distribuídas, o que impacta culturas como café, cana-de-açúcar e grãos diversos.
Adicionalmente, a ocorrência do fenômeno em um contexto de temperaturas globais elevadas intensifica seus efeitos. Isso resulta em maior evaporação, um aumento na frequência de eventos climáticos extremos e uma maior volatilidade no campo.
Atualmente, o fenômeno El Niño apresenta características diferentes em comparação com eventos ocorridos há duas a três décadas, devido ao aquecimento global. Essa nova dinâmica implica em temperaturas ainda mais altas, maior evaporação e eventos climáticos extremos mais intensos.
Planejamento
Diante desse cenário desafiador, o planejamento se torna um elemento crucial. A antecipação de estratégias pode minimizar perdas e garantir uma maior estabilidade na produção. Em situações como a do El Niño, o tempo de resposta é determinante. Aqueles que se antecipam conseguem reduzir os danos, enquanto os que reagem tardiamente enfrentam impactos mais severos.
Entre as recomendações destacadas estão o ajuste do calendário agrícola, podendo ser necessário antecipar ou atrasar o plantio para evitar períodos críticos; a escolha de cultivares mais resistentes à seca ou ao excesso de água; e a adoção de práticas adequadas de manejo do solo, com foco na melhoria da retenção de água por meio do aumento da matéria orgânica.
A gestão hídrica também é fundamental, com investimentos em sistemas de irrigação nas regiões mais secas e em drenagem nas áreas afetadas por chuvas excessivas. Além disso, o uso de fertilizantes de liberação controlada é uma alternativa para minimizar a perda de nutrientes em condições adversas, aumentando a eficiência da adubação.
