Governo reafirma compromisso de atuação no caso Master, declara ministro da Justiça
Ministro da Justiça garante transparência nas investigações sobre fraudes no Banco Master.
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, afirmou que o governo não adotará uma abordagem de espetáculo nas investigações envolvendo o Banco Master. Em declaração feita a jornalistas, ele ressaltou que a administração de Luiz Inácio Lula da Silva não se omitir diante das questões levantadas.
Esta é a primeira vez que o Ministério da Justiça se pronuncia sobre a quarta fase da operação Compliance Zero, que resultou na prisão preventiva do ex-presidente do Banco de Brasília, Paulo Henrique Costa. Ele é acusado de negociar propinas com Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.
Apesar do anúncio, as informações fornecidas pelo governo foram limitadas. O diretor-executivo da Polícia Federal, William Murad, destacou que a maior parte da operação permanece sob sigilo, e que o esclarecimento envolveu apenas algumas partes da ação da PF.
Questionado sobre a necessidade de esclarecer a situação em meio à queda de popularidade do governo, o ministro destacou a sensibilidade da assessoria de comunicação em responder às indagações da imprensa, reafirmando que não haverá espetacularização do caso.
O secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, reiterou a intenção do governo de combater o crime organizado, enfatizando que a abordagem deve ser direcionada ao “andar de cima” das organizações criminosas. Essa estratégia foi comparada a argumentos anteriormente apresentados por Fernando Haddad, atual pré-candidato ao governo de São Paulo.
Lucas mencionou a operação Carbono Oculto, que investiga um esquema de sonegação fiscal e lavagem de dinheiro, como parte do esforço do governo para realizar uma “asfixia financeira” contra o crime organizado.
O secretário também enfatizou a importância de respeitar a institucionalidade e a autonomia da Polícia Federal, afirmando que a violência não deve ser combatida apenas com força, mas também com inteligência e integração entre as forças de segurança.
ENTENDA
A prisão de Paulo Henrique Costa e Daniel Monteiro foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, sob suspeita de envolvimento em um esquema de propina que totaliza R$ 146 milhões. A Polícia Federal investiga a autorização de pagamento de R$ 12 bilhões em créditos considerados irregulares do Banco Master.
Os investigadores identificaram seis imóveis de luxo que teriam sido utilizados como forma de pagamento das propinas, totalizando R$ 74 milhões. Contudo, a PF relatou que Vorcaro não conseguiu concretizar todos os pagamentos devido à descoberta de um procedimento investigativo sigiloso do Ministério Público Federal, iniciado em abril de 2025.
As investigações revelaram que, ao tomar conhecimento das apurações, Vorcaro ordenou que Daniel Monteiro interrompesse os pagamentos e a formalização das transações. Os policiais apontam que Felipe Mourão, conhecido como “Sicário”, foi o responsável por encaminhar documentos sigilosos a Vorcaro, em 24 de junho.
