Eleitorado dividido entre lulismo e bolsonarismo pode surpreender nas próximas eleições, diz Felipe Nunes

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Expectativas para a eleição de 2026 indicam um cenário polarizado e imprevisível.

A consolidação do cenário eleitoral de 2022 revela um eleitorado cada vez mais “calcificado”, dividido entre lulismo e bolsonarismo. Essa divisão estabelece o tom para a eleição de 2026, embora surpresas possam surgir até outubro, quando o próximo presidente da República será eleito.

Felipe Nunes, fundador e diretor de um dos principais institutos de pesquisa do Brasil, analisou essa situação em um podcast. Ele destaca que a série de empates nas pesquisas entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro reflete um padrão estrutural do comportamento eleitoral brasileiro, mas não descarta reviravoltas até a data da eleição.

De acordo com Nunes, tanto o atual presidente quanto o grupo associado ao ex-presidente Jair Bolsonaro partem de um ponto semelhante, com cerca de um terço do eleitorado cada um. Essa “calcificação” do eleitorado sugere uma previsibilidade inicial, mas não garante estabilidade ao longo da campanha.

Históricos de eleições anteriores demonstram que surpresas são comuns. Nunes lembra que, em 2002, Roseana Sarney estava tecnicamente empatada com Lula na pré-campanha, mas não se tornou candidata. Em 2014, a morte de Eduardo Campos durante a campanha alterou drasticamente o cenário eleitoral, mostrando como eventos inesperados podem mudar a dinâmica da disputa.

O cientista político também cita o exemplo de Jair Bolsonaro em 2018, cuja candidatura ganhou força após um atentado que lhe conferiu visibilidade na mídia. Nunes acredita que a “facada” foi decisiva para sua eleição, ressaltando a instabilidade e a imprevisibilidade que caracterizam as eleições brasileiras.

Embora a polarização eleitoral permaneça, há sinais de desgaste. Pesquisas indicam um cansaço da população com essa divisão, sugerindo que o eleitorado pode estar buscando alternativas à polarização. Nunes observa que, embora o eleitorado esteja dividido, a insatisfação com a situação atual pode abrir espaço para novos candidatos.

Além disso, Nunes aponta uma inclinação à direita no Brasil, impulsionada por mudanças demográficas e sociais. O crescimento da população evangélica e a fragmentação da mídia têm contribuído para esse movimento. Ele destaca que Lula, ao adotar posturas mais moderadas, ampliou suas alianças e aumentou suas chances eleitorais.

Com cerca de 30% do eleitorado se declarando independente ou indeciso, essa fatia se torna crucial na escolha do próximo presidente. Candidatos ligados ao bolsonarismo precisam suavizar a imagem de radicalismo, enquanto Lula deve apresentar uma agenda que responda à insatisfação popular.

Nunes também observa uma mudança no eixo de poder político, com o Congresso Nacional ganhando protagonismo em relação à Presidência. Essa nova dinâmica pode impactar a forma como os eleitores percebem e se envolvem nas eleições.

No campo econômico, existe um descompasso entre os indicadores oficiais e a percepção popular. Apesar de dados que apontam melhora na economia, a população continua a avaliar negativamente a situação, devido ao aumento do custo de vida e ao endividamento.

Por fim, Nunes ressalta que as pesquisas eleitorais tendem a refletir o cenário mais do que influenciá-lo. Em um ambiente polarizado, eleitores tendem a aceitar resultados que confirmam suas crenças, dificultando a aceitação de novas informações.

Diante desse panorama, a eleição de 2026 promete ser intensa e repleta de incertezas, com o risco de que o debate permaneça centrado em confrontos entre grupos, sem avanços em propostas concretas para o país.

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