Nova unidade de produção de sementes pretende duplicar a produtividade da cana até 2040
Nova unidade de produção de sementes promete revolucionar a cana-de-açúcar no Brasil.
O Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) inaugurou recentemente a Primeira Unidade de Produção de Sementes (UPS) em Piracicaba, interior de São Paulo.
Com um investimento superior a R$ 100 milhões, a nova estrutura foi construída em colaboração com a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e representa um importante avanço para o setor sucroenergético.
Após 15 meses de desenvolvimento, a unidade ocupa uma área de 10 mil m² e tem capacidade inicial para atender até 500 hectares por ano, com operações em um turno e possibilidade de expansão futura.
Essa instalação permite a aplicação em larga escala da tecnologia de sementes sintéticas, uma inovação que promete substituir o plantio tradicional por um sistema mais leve, padronizado e de alta precisão.
O CEO do CTC, Cesar Barros, destacou que a inauguração marca o início de uma nova fase no desenvolvimento científico e na validação de processos agrícolas, representando um passo significativo para o setor.
Barros enfatizou que a nova tecnologia permite a materialização da visão de dobrar a produtividade dos canaviais brasileiros, com resultados concretos no campo a partir de agora.
Mais produtividade na cana, mesma área
Este projeto é parte da Visão 2040 do CTC, que se compromete a dobrar a produtividade dos canaviais sem ampliar a área plantada, utilizando tecnologias inovadoras que contribuem para a transição energética e redução das emissões de carbono.
O foco está em melhoramento genético, biotecnologia, ciência de dados e sementes sintéticas.
Barros explicou que o melhoramento genético potencializa a produtividade, a biotecnologia assegura essa capacidade, a ciência de dados traduz esse potencial em resultados práticos e as sementes sintéticas conectam todo o sistema, criando um novo patamar de produtividade.
A nova tecnologia, em desenvolvimento desde 2013, conta com uma equipe de 150 especialistas e um investimento previsto de R$ 1 bilhão até o lançamento comercial.
Ganhos para o setor
A introdução das sementes sintéticas representa uma transformação estrutural na produção de cana-de-açúcar. O volume necessário para o plantio de um hectare é reduzido de cerca de 16 toneladas para aproximadamente 400 kg, melhorando a eficiência logística.
Além disso, a nova abordagem elimina a necessidade de viveiros, liberando até 5% da área agrícola anteriormente dedicada à produção de mudas, o que equivale a cerca de 500 mil hectares.
Esse sistema não apenas diminui o risco de disseminação de pragas e doenças, mas também melhora a uniformidade dos plantios e acelera a adoção de novas variedades, contribuindo para o aumento da produtividade.
Do ponto de vista ambiental, a tecnologia reduz o consumo de diesel, minimiza a compactação do solo e ajuda a diminuir a pegada de carbono da produção.
Barros afirmou que a transformação no modelo de plantio abre caminho para uma nova lógica de produção agrícola no Brasil, ampliando a competitividade do setor e fortalecendo o papel do país em bioenergia, demonstrando como a inovação pode gerar impactos econômicos e ambientais positivos.
Com a elevação da eficiência e produtividade, a inovação não só reforça a competitividade do setor sucroenergético, mas também potencializa a produção de energia renovável, consolidando o Brasil como líder global em bioenergia e inovação agrícola, com possibilidades de exportação de tecnologia para países tropicais.
