Lula critica Trump e defende integração da América Latina e Caribe em evento no Panamá
Lula destaca retrocesso na integração da América Latina durante Fórum Econômico no Panamá.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursou, nesta quarta-feira (28), no Fórum Econômico Internacional América Latina e Caribe, evento que acontece no Panamá e é considerado a “Davos latino-americana”, em alusão ao recente encontro de líderes na Suíça.
Durante sua fala, Lula enfatizou que a América Latina enfrenta “um dos momentos de maior retrocesso em matéria de integração” e convocou as lideranças regionais a adotarem uma postura mais proativa para reverter essa situação.
O presidente ressaltou que a divisão do mundo em zonas de influência e as tentativas neocoloniais por recursos estratégicos representam gestos anacrônicos e retrocessos históricos, evidenciando a fragilidade da região diante de tensões geopolíticas contemporâneas, como a operação militar dos Estados Unidos na Venezuela, realizada no início deste ano.
Além disso, Lula recordou momentos históricos em que parcerias de desenvolvimento na América Latina e no Caribe contaram com a colaboração dos Estados Unidos, mencionando a política de boa vizinhança do presidente Franklin Roosevelt, que buscava substituir a intervenção militar pela diplomacia em sua abordagem para a região.
O presidente brasileiro também reafirmou a posição do país em relação à neutralidade do Canal do Panamá, considerando sua administração como “eficiente, segura e não discriminatória”.
Lula ainda destacou a intenção de estreitar relações com países emergentes, além de reforçar acordos com nações como Índia e México. Ele mencionou a retomada de negociações com o Canadá e o avanço nas tratativas com os Emirados Árabes Unidos.
O discurso ocorreu em um contexto de relação estável entre Lula e Donald Trump, presidente dos Estados Unidos. Na última segunda-feira (26), os dois mantiveram uma conversa telefônica de cerca de 50 minutos, onde discutiram a situação na Venezuela e um convite para o Brasil integrar o Conselho da Paz em Gaza, criado por Trump.
