Influencer é investigado pela polícia de SP por manipulação de imagens de jovens evangélicas com uso de inteligência artificial

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Influenciador digital é investigado por manipulação de imagens de jovens evangélicas usando IA.

A Polícia Civil de São Paulo está investigando um influenciador digital que supostamente utilizou inteligência artificial para alterar fotos de jovens evangélicas, inserindo-as em vídeos com conteúdo sexualizado sem autorização.

O suspeito, identificado como Jefferson de Souza, de 37 anos, é humorista e possui um canal no YouTube chamado “Humor do Crente”, que já conta com mais de 11 mil inscritos. Ele também se apresenta em redes sociais como “Silvio Souza”, fazendo alusão ao famoso apresentador Silvio Santos, e tem cerca de 37 mil seguidores em suas plataformas.

O inquérito foi instaurado após uma denúncia feita por uma estudante de 16 anos e seus pais, que procuraram a 8ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) em São Mateus, Zona Leste de São Paulo. Eles alegam que Jefferson alterou e erotizou a imagem da adolescente, utilizando a técnica conhecida como deepfake.

Deepfake é uma tecnologia que utiliza inteligência artificial para criar ou modificar imagens, vídeos ou áudios de maneira realista, fazendo parecer que uma pessoa fez ou disse algo que nunca ocorreu. O influenciador negou as acusações durante depoimento à polícia.

As imagens manipuladas foram publicadas em várias plataformas, incluindo YouTube, Instagram e TikTok. Jefferson também é acusado de inserir imagens de outras jovens sem consentimento, criando conteúdos que distorcem a imagem e a reputação das vítimas.

O caso ganhou destaque após a jovem denunciar que sua foto, tirada em 2025 durante um culto, foi utilizada em montagens que a associavam a um conteúdo sexual. A imagem original mostrava a adolescente vestindo um vestido adequado para a ocasião, enquanto na versão alterada ela aparece em situações constrangedoras ao lado de outras mulheres com roupas inadequadas.

A delegada responsável pelo caso, Juliana Raite Menezes, afirmou que o inquérito foi registrado como simulação de cena de sexo ou pornografia com menor de 18 anos, com pena prevista de um a três anos de reclusão, além de multa. A polícia está em busca de mais vítimas e analisa diversos vídeos postados por Jefferson, que frequentemente utiliza músicas da Congregação Cristã do Brasil em suas produções.

Além das denúncias, outras jovens também relataram terem sido alvo de montagens semelhantes. Uma delas afirmou que sua imagem, capturada em um culto, foi manipulada para parecer que ela estava em uma situação sexualizada com outras pessoas. As vítimas expressam preocupação com o impacto emocional e social que essa exposição não consensual pode causar.

A família da adolescente que fez a denúncia está buscando justiça e entrou com uma ação por danos morais, destacando a importância de responsabilizar o autor das manipulações. Especialistas em direitos digitais alertam que o uso de inteligência artificial para criar conteúdos prejudiciais não exime o criador de responsabilidade legal.

A Congregação Cristã do Brasil e as plataformas digitais, como TikTok e YouTube, já se manifestaram sobre o caso, afirmando que tomaram medidas para remover conteúdos que violam suas diretrizes e que apoiam a investigação das autoridades. O caso ressalta a necessidade de maior proteção para indivíduos vulneráveis na era digital, especialmente no que diz respeito à manipulação de imagens e à privacidade.

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