Braquiária aumenta produtividade da soja em até 15% e melhora saúde do solo, revela estudo da Embrapa

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Estudo revela que a braquiária pode aumentar a produtividade da soja e melhorar a qualidade do solo.

Uma análise inédita em escala nacional confirmou o impacto positivo da braquiária na produtividade da soja e na qualidade do solo. O estudo, que reuniu dados de 55 pesquisas realizadas em 33 localidades do país, demonstra a eficácia dessa prática agrícola.

Segundo os pesquisadores, o uso de gramíneas tropicais de raízes profundas, especialmente do gênero braquiária, como cultura antecessora pode elevar a produtividade da soja em média 15%. Isso representa um ganho significativo de cerca de 515 kg por hectare, ressaltando a importância da escolha das plantas de cobertura.

A pesquisa adotou a metodologia de meta-análise, que compila resultados de diferentes estudos para gerar conclusões mais robustas. Os trabalhos avaliados foram conduzidos em condições de campo no Brasil, comparando sistemas de cultivo com e sem a utilização dessas gramíneas antes do cultivo da soja.

Ganhos consistentes na lavoura

O levantamento revelou que 154 das 173 comparações analisadas indicaram aumento de produtividade, com ganhos que variaram de 30 a 2.200 kg por hectare. Apenas 11% dos casos registraram queda na produtividade, geralmente associada a falhas no manejo das culturas.

Além do impacto direto na produção, o estudo identificou avanços significativos nos indicadores biológicos do solo. A pesquisa apontou um aumento de 35% na atividade da enzima arilsulfatase e de 31% na β-glicosidase, além de ganhos no carbono da biomassa microbiana (+24%) e no carbono orgânico (+11%).

Esses resultados indicam uma melhora na atividade microbiana, na ciclagem de nutrientes e na estrutura do solo, fatores essenciais para a sustentabilidade dos sistemas agrícolas contemporâneos.

Baixo custo e alto retorno

Outro ponto destacado pelos pesquisadores é o custo relativamente baixo para a adoção da braquiária. A semeadura da gramínea varia entre 3 e 10 kg por hectare, com um investimento estimado entre US$ 9 e US$ 30 por hectare.

Em contrapartida, o aumento de produtividade pode gerar uma receita adicional média de US$ 198 por hectare, reforçando a viabilidade econômica dessa prática agrícola.

Agricultura regenerativa

O estudo também aponta que gramíneas tropicais de raízes profundas devem ser vistas não apenas como plantas de cobertura, mas como “insumos biológicos” em sistemas agrícolas regenerativos e conservacionistas.

Essas espécies contribuem para múltiplos serviços ecossistêmicos, como maior infiltração de água, melhoria da agregação do solo e aumento dos estoques de carbono.

Para os pesquisadores, a adoção dessas gramíneas em larga escala representa um avanço estratégico para a intensificação sustentável da agricultura brasileira, combinando aumento de produtividade com a conservação dos recursos naturais.

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