Corsan reformula sistema de saneamento para revitalizar rios e combater crises climáticas
Centro de Operações Integradas da Corsan/Aegea busca melhorar a gestão de recursos hídricos no Rio Grande do Sul.
O Centro de Operações Integradas, parte fundamental do sistema de monitoramento da Corsan/Aegea, vem se destacando na ampliação da eficiência operacional e no fortalecimento da resposta a eventos climáticos extremos.
Nos últimos anos, o Rio Grande do Sul tem enfrentado intensos desafios relacionados à gestão hídrica. Durante as cheias, as cidades são inundadas, revelando fragilidades que se acumularam ao longo das décadas. Em contrapartida, nos períodos de estiagem, o estado dos rios, que enfrentam degradação, se torna evidente, evidenciando uma infraestrutura que não acompanhou o crescimento urbano.
Nesse contexto, a Corsan tem adotado uma nova abordagem em sua atuação, considerando o saneamento como um eixo estratégico para garantir a segurança hídrica em um cenário climático instável.
Dados recentes mostram que o estado abriga alguns dos rios mais poluídos do país, como o Rio dos Sinos e o Rio Gravataí. Estes mananciais têm sido historicamente impactados por esgoto não tratado, resíduos industriais e lixo urbano, resultando em um sério problema ambiental e de saúde pública.
Além disso, um levantamento indica que mais de 65% da população do estado ainda não tem acesso à coleta de esgoto, comprometendo a saúde da população e limitando o desenvolvimento urbano.
A expansão da infraestrutura é crucial para enfrentar esse passivo. O fortalecimento das redes de esgoto e das estações de tratamento é fundamental para a recuperação dos rios. Contudo, eventos climáticos extremos, como as enchentes de 2024, intensificaram a necessidade de garantir que os sistemas operem eficientemente, mesmo em condições adversas.
O Plano de Resiliência Hídrica da Corsan surge como a principal estratégia para a transformação do setor no estado. Com um investimento previsto de R$ 1,88 bilhão e abrangendo 55 municípios, o plano não se limita a expandir redes, mas busca construir sistemas que operem com estabilidade em cenários de crise.
A realocação de 91 unidades operacionais para áreas seguras é uma das iniciativas que ilustram essa mudança de paradigma, visando proteger estruturas essenciais e garantir a continuidade dos serviços em momentos críticos.
Além disso, a perfuração de poços profundos e o reforço das interligações entre sistemas são medidas que visam aumentar a segurança do abastecimento e reduzir o risco de desabastecimento.
A modernização das estações de tratamento e o uso intensivo de tecnologia, como o monitoramento em tempo real, são aspectos que complementam essa evolução, permitindo uma resposta mais rápida e eficiente em situações de emergência.
Com cerca de R$ 350 milhões já alocados na primeira etapa do plano, a Corsan está se adaptando continuamente para enfrentar os desafios impostos por um clima em transformação.
Essa agenda de resiliência não apenas reforça a necessidade de avançar na coleta e tratamento de esgoto, mas também integra a expansão e a capacidade de resposta, ampliando a eficácia do saneamento.
Portanto, a Corsan está se reposicionando de operadora de serviços para um agente central na gestão da infraestrutura hídrica do estado, reconhecendo que a recuperação dos rios e a garantia do abastecimento são partes de uma mesma estratégia que requer continuidade, investimento e adaptação.