Lula defende retirada de credencial de agente dos EUA como ato de reciprocidade
Presidente Lula elogia ação da Polícia Federal em resposta a medidas dos EUA
O presidente Lula manifestou apoio à decisão da Polícia Federal de retirar as credenciais diplomáticas de um agente de imigração dos Estados Unidos, em Brasília. A medida, segundo ele, é uma resposta ao tratamento recebido pelo Brasil, seguindo o princípio da reciprocidade.
Em um vídeo divulgado nas redes sociais, Lula, ao lado do diretor-geral da Polícia Federal e do ministro da Justiça, destacou que a ação é uma resposta à expulsão de um delegado brasileiro dos Estados Unidos, ocorrida durante a administração de Donald Trump.
O presidente parabenizou o diretor da PF pela decisão, enfatizando a importância de agir de forma equivalente às ações norte-americanas. Ele expressou a esperança de que essa resposta possa abrir caminho para um diálogo mais construtivo entre os dois países.
O foco do governo brasileiro, segundo Lula, é restabelecer a comunicação e a colaboração na área de segurança com os Estados Unidos.
Posição do Itamaraty
Nesta quarta-feira, o Ministério das Relações Exteriores comunicou à embaixada dos EUA que o Brasil adotaria um tratamento equivalente ao recebido pelo agente brasileiro. O Itamaraty criticou a decisão dos Estados Unidos, que foi considerada abrupta e sem um pedido de esclarecimento prévio.
Para o governo brasileiro, essa ação contraria o espírito do acordo de cooperação em segurança estabelecido entre os dois países e rompe com uma prática diplomática tradicionalmente respeitosa.
Origem da crise
A crise teve início com a revogação do visto do delegado da Polícia Federal, Marcelo Ivo de Carvalho, que foi expulso dos Estados Unidos. Essa decisão, segundo o governo norte-americano, decorreu de sua atuação em um caso que envolveu a detenção do ex-deputado Alexandre Ramagem na Flórida.
Os EUA alegaram que o delegado brasileiro tentou manipular o sistema migratório norte-americano para evitar o processo formal de extradição. Embora não tenha mencionado Marcelo Ivo diretamente, a nota do Departamento de Estado enfatizou que nenhum estrangeiro deve contornar as normas de imigração dos EUA.
A delegada Tatiana Alves Torres foi designada para assumir o cargo de oficial de ligação da PF junto ao Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos EUA, substituindo Marcelo Ivo.
Alexandre Ramagem no centro da disputa
A situação se complica ainda mais com o caso de Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência, que foi condenado a 16 anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal. Ele é considerado foragido da Justiça brasileira.
Em dezembro de 2025, foi determinado o envio do pedido formal de extradição de Ramagem aos Estados Unidos, através do Ministério da Justiça. Ramagem foi detido em 13 de abril por agentes do ICE, em uma operação que envolveu a cooperação policial entre Brasil e EUA.
Após sua detenção, Ramagem foi liberado dois dias depois, em meio a pressões de aliados políticos nos EUA.
Suspeitas sobre a extradição
Desde a detenção de Ramagem, investigações nos EUA buscam esclarecer se a cooperação policial foi utilizada para evitar o processo formal de extradição. Nos Estados Unidos, a extradição é tratada pelo Departamento de Estado, enquanto as deportações são geridas pelo Departamento de Segurança Interna.
A suspeita é que a deportação por questões migratórias possa ter sido uma forma de devolver Ramagem ao Brasil sem a necessidade de uma decisão diplomática formal.
Esse incidente se soma a outros desafios enfrentados pelas autoridades brasileiras para conseguir a extradição de indivíduos envolvidos em crimes contra ministros do STF e em atos de 8 de janeiro, incluindo pedidos relacionados a Ramagem e ao blogueiro Allan dos Santos.
Monitoramento nos EUA
Além do impasse diplomático, o caso revelou que Ramagem estava sendo monitorado nas terras norte-americanas. A Polícia Federal investiga se ele adquiriu um veículo utilizando um passaporte diplomático que já havia sido cancelado pelo STF.
A PF identificou o carro, o que levou à descoberta do paradeiro de Ramagem. Como a corporação não pode prender brasileiros fora do país, o foco é reunir informações e repassá-las às autoridades competentes.
