Movimento histórico pode forçar Europa a alterar regra sobre propriedade de jogos digitais

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Petição global exige proteção aos jogos digitais após marco histórico de assinaturas.

O movimento global de jogadores, conhecido como Stop Killing Games (SKG), alcançou um marco significativo esta semana. A petição “Stop Destroying Videogames” ultrapassou 1,29 milhão de assinaturas verificadas, forçando a Comissão Europeia a considerar uma proposta legislativa que visa impedir que editoras desativem jogos remotamente, tornando-os injogáveis.

A iniciativa, organizada sob o mecanismo de democracia direta da União Europeia (ICE), concentra-se especialmente nos “jogos como serviço”. O objetivo é assegurar que, ao encerrar o suporte a um título, as empresas deixem o software em um estado funcional, permitindo que os consumidores continuem utilizando o produto adquirido ou licenciado.

O fim da obsolescência programada nos games

Comandada por Ross Scott, a campanha ganhou força após uma série de desligamentos de servidores que resultaram na “morte” de jogos populares. Recentemente, o movimento voltou suas atenções para a Electronic Arts (EA), após o encerramento dos servidores de Anthem, e tem orientado jogadores na França e Alemanha sobre como solicitar reembolsos.

De acordo com a legislação da UE, quando uma petição atinge 1 milhão de assinaturas válidas, a Comissão Europeia é obrigada a fornecer uma resposta oficial em até seis meses.

Representantes do movimento se reunirão com comissários europeus nas próximas semanas, e o Parlamento Europeu realizará uma audiência pública para discutir o impacto dos produtos digitais descartáveis.

O movimento SKG destacou que a petição teve uma taxa de assinaturas válidas excepcionalmente alta, superando a média de outras iniciativas de cidadania.

A resposta da indústria

Até o momento, a indústria tem mostrado resistência à proposta. O CEO da Ubisoft, Yves Guillemot, afirmou que “nada é eterno”, defendendo o modelo de negócios atual.

No entanto, o movimento SKG argumenta que os jogadores não devem perder o acesso a produtos pelos quais pagaram apenas porque a empresa decidiu reduzir os custos de manutenção de servidores.

A discussão que se inicia agora em Bruxelas pode transformar permanentemente a maneira como os jogos são vendidos e preservados globalmente, estabelecendo um precedente para que “comprar” um jogo digital signifique realmente ser dono dele para sempre, e não apenas alugá-lo por tempo indeterminado.

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