Câmara de São Roque institui CPI para apurar fraudes no Banco Master

Compartilhe essa Informação

Câmara Municipal de São Roque aprova CPI para investigar fraudes no Banco Master.

A Câmara Municipal da Estância Turística de São Roque, em São Paulo, tomou uma decisão significativa ao aprovar a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na terça-feira (28). A investigação se concentrará nas irregularidades relacionadas à gestão financeira e administrativa do Instituto de Previdência Social dos Servidores Municipais, conhecido como São Roque Prev.

O instituto realizou investimentos superiores a R$ 93 milhões em letras financeiras do Banco Master, que agora estão sob escrutínio. A CPI terá um prazo de funcionamento de 90 dias e será oficialmente instalada após a assinatura de um terço dos vereadores, que incluem Danieli Castro, Paulo Rogério Noggerini Júnior, Rafael Tanzi de Araújo, Diego Gouveia da Costa e Marcos Roberto Martins Arruda.

O colegiado será composto por três parlamentares: Guilherme Araújo Nunes (PSD), Wanderlei Divino Antunes (Republicanos) e Mateus Taraborelli Foina (PSB). A decisão de instaurar a CPI foi motivada por um requerimento apresentado no dia 10, que visava apurar o uso de recursos previdenciários em ativos vinculados ao Banco Master e ao Fundo de Investimento Imobiliário Nest Eagle (EAGL11), com transações ocorridas entre 2024 e 2026.

Além das investigações sobre o Banco Master, a CPI também se debruçará sobre a atuação da empresa Crédito & Mercado Gestão de Valores Mobiliários Ltda. Essa empresa foi inicialmente contratada para coordenar os investimentos do São Roque Prev e, posteriormente, assumiu a responsabilidade pelo programa de certificação institucional do Ministério da Previdência Social, o Pró-Gestão RPPS.

Um dos pontos críticos identificados na solicitação da CPI é a alteração de um documento que avaliava os riscos do investimento no Banco Master. Essa modificação gerou preocupações, pois o documento enviado à Câmara Municipal apresentava uma situação diferente da que foi publicada no site da instituição.

A primeira fase da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes no Banco Master, foi deflagrada em novembro de 2025. A Justiça emitiu mandados contra líderes do banco, incluindo Daniel Vorcaro, e afastou o presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, devido a suspeitas de envolvimento em operações irregulares que resultaram em perdas bilionárias.

Na segunda fase da operação, em janeiro de 2026, as investigações se concentraram no rastreamento de dinheiro e recuperação de ativos. A Justiça autorizou o bloqueio de R$ 5,7 bilhões em bens e valores, além de cumprir 15 mandados de busca e apreensão em locais ligados a Vorcaro e seus familiares, resultando na apreensão de carros de luxo e dinheiro em espécie.

Em março deste ano, a Polícia Federal revelou a existência de uma estrutura destinada a intimidar adversários e monitorar investigadores do banco. Esse grupo, denominado “A Turma”, foi descrito como uma milícia privada, e um de seus operadores, Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, cometeu suicídio enquanto estava detido.

A investigação também abrangeu servidores do Banco Central, suspeitos de facilitar trâmites regulatórios para Vorcaro em troca de propina. Neste contexto, o banqueiro foi novamente preso, e o STF determinou o bloqueio de até R$ 22 bilhões em bens relacionados ao caso.

Atualmente, Daniel Vorcaro encontra-se preso na Penitenciária Federal em Brasília. Os envolvidos nas fraudes podem enfrentar acusações por crimes como gestão temerária, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, além de obstrução de Justiça.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *