Gestão do estresse é a habilidade essencial do século, afirma Mel Robbins sobre liderança

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O livro de Mel Robbins aborda o estresse e a responsabilidade individual em tempos de caos.

Um dos livros mais vendidos atualmente não trata de tecnologia ou inovação, mas sim do comportamento humano e do estresse. Em uma era dominada pela inteligência artificial e automação, “Deixa pra lá: a teoria Let Them”, de Mel Robbins, foca na responsabilidade individual em meio ao caos.

Com mais de 10 milhões de cópias vendidas em menos de um ano e traduzido para diversas línguas, o livro se tornou um fenômeno editorial. Ele reflete a crescente ansiedade de líderes que, ao invés de perderem o controle para máquinas, enfrentam um excesso de estímulos, pressão e expectativas que afetam sua capacidade decisória.

Robbins, em um evento recente, enfatizou que seu objetivo é ajudar as pessoas a se sentirem mais no controle e protegidas do estresse desnecessário que consome tempo e energia. A autora argumenta que o estresse não é apenas resultado da carga de trabalho, mas da frustração em tentar controlar o que não está sob o nosso domínio, como decisões alheias e mudanças de mercado.

A proposta de Mel é simples e poderosa: “Let them”, ou “deixe que façam”. Ao adotar essa mentalidade, as pessoas reconhecem o que está fora de seu controle e, assim, reduzem o estresse. Essa abordagem não é uma aceitação passiva, mas uma interrupção do impulso de reagir a situações incontroláveis, que alimenta a ansiedade e prejudica a clareza mental.

O segundo aspecto que Robbins aborda é o “let me”, que envolve assumir o controle sobre comportamentos, respostas e prioridades. Embora não possamos mudar os outros, podemos impactar a forma como nos apresentamos, o que influencia o ambiente ao nosso redor.

Entre a filosofia e a prática

O conceito de soltar o que não se pode controlar e assumir o que se pode é central na obra, que se conecta ao Estoicismo, uma filosofia redescoberta por muitos líderes. Filósofos como Sêneca e Marco Aurélio já discutiam a importância de distinguir entre o que podemos e não podemos controlar.

Robbins traduz esse princípio para o ambiente corporativo atual, onde a complexidade é a norma. Além da filosofia, o livro se baseia em neurociência, explorando como o cérebro responde às mudanças e à resistência que elas geram.

A autora destaca que o cérebro é programado para economizar energia e, por isso, resiste a mudanças. Ela afirma que o pensamento por si só não gera resultados; é a ação que promove a transformação. A “regra dos cinco segundos” é uma técnica sugerida para quebrar padrões automáticos, incentivando uma rápida tomada de decisão.

Em sua conversa no evento, Robbins observou que o verdadeiro desafio das empresas não é o acesso à tecnologia, mas a dificuldade em operar sob constante pressão e medo. O estresse crônico afeta a capacidade de decisão e clareza, impactando diretamente a performance organizacional.

Liderança define o clima

Mel Robbins afirma que “os líderes definem o clima” dentro das organizações. Assim como o clima influencia o comportamento humano, a atitude do líder molda o ambiente emocional da equipe. Um líder que permite que o estresse prevaleça compromete a clareza e a capacidade de decisão de sua equipe.

Um líder sob pressão cria um ambiente tenso, enquanto um líder que promove clareza oferece espaço para decisões mais eficazes. O clima emocional que um líder estabelece é uma variável crítica para a performance organizacional.

Se um líder opera em um estado de urgência constante, isso se reflete na equipe, amplificando o estresse e reduzindo a capacidade de pensar estrategicamente, o que é crucial em tempos de transformação.

Assim, o livro não apenas sugere mudanças de comportamento, mas propõe uma reavaliação do papel do líder. A simplicidade torna-se uma responsabilidade, e a clareza de direção é mais importante do que a quantidade de trabalho. Essa clareza deve começar no topo, com aqueles que lideram.

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