Acordo entre UE e Mercosul entra em vigor e impacta setor agropecuário de frutas a carnes e café
Acordo UE-Mercosul entra em vigor no Brasil e traz mudanças significativas para o agronegócio.
O acordo de livre comércio entre a União Europeia (UE) e o Mercosul entra em vigor de forma provisória no Brasil nesta sexta-feira (1º). Essa nova fase promete impactar diretamente o agronegócio brasileiro, que enfrenta resistência de produtores europeus.
Com o acordo, 77% dos produtos agropecuários exportados para a UE terão tarifas de importação eliminadas. A redução será gradual, variando de quatro a dez anos, dependendo do produto específico.
Itens como frutas, sucos, peixes, crustáceos, óleos vegetais, além do café solúvel e moído, se beneficiarão de taxas zeradas. O café em grão já entra na Europa sem tarifas, evidenciando a importância desse setor para as exportações brasileiras.
Alguns produtos, como carne bovina, frango e porco, terão suas tarifas reduzidas, mas com condições de cotas de exportação, uma vez que são considerados “sensíveis” pela UE devido à concorrência com a produção local.
A aplicação provisória do acordo já permite o início da redução das tarifas. Setores do agronegócio brasileiro têm expressado otimismo em relação aos benefícios do acordo, que vão além da eliminação de tarifas, incluindo oportunidades para investimentos bilaterais.
Veja como o acordo impacta diferentes setores:
🍇🍋 Frutas devem ganhar espaço na Europa
Os exportadores de frutas estão entre os que mais devem se beneficiar. A uva brasileira, por exemplo, passará a ser exportada para a UE com tarifa zero. Outros produtos, como abacate e limão, terão tarifas zeradas em um prazo de quatro a sete anos.
- 🍇 Uva: tarifa de 11% zerada imediatamente;
- 🥑 Abacate: taxa de 4% zerada em 4 anos;
- 🍋 Limão: imposto de 14% zerado em 4 anos;
- 🍉 Melão e melancia: taxa de 9% zerada em 7 anos;
- 🍎 Maçã: taxa de 10% zerada em 10 anos.
A redução das tarifas deverá impulsionar o consumo de frutas brasileiras na Europa, tornando-as mais competitivas.
☕ Café solúvel e moído se beneficiam
No setor de café, os produtos solúvel e moído se destacam, pois o café em grão já entra na Europa sem tarifas. As taxas de importação sobre o café solúvel e moído começarão a cair anualmente até zerar em 2030.
A cada ano, a taxa será reduzida em 25%, o que torna o café brasileiro mais competitivo em relação a outros países que já operam com tarifa zero.
🥩 Carnes têm potencial limitado
O aumento das exportações de carnes enfrenta limitações devido às cotas e regras de proteção da UE. A carne bovina, por exemplo, tem tarifas que variam de 20% a 12,8%, dependendo do tipo, mas com o novo acordo, essas tarifas serão reduzidas.
Para a carne de aves, o Brasil terá uma cota anual de exportação de 180 mil toneladas com tarifa zero, que crescerá ao longo dos anos. No entanto, as exportações que ultrapassarem essa cota ainda estarão sujeitas às tarifas existentes.
🧃 Sucos terão tarifa zero em 10 anos
Os sucos de laranja terão tarifas reduzidas gradualmente até chegarem a zero em um período de sete a dez anos, proporcionando uma economia tarifária significativa para as exportações brasileiras.
➡️ Soja e celulose
A soja e produtos florestais já têm tarifa zero na Europa, mas o acordo é visto como uma oportunidade de fortalecer as relações comerciais entre as regiões, promovendo maior previsibilidade e segurança.
Blindagem do agro europeu incomodou
As salvaguardas previstas no acordo permitem que a UE suspenda temporariamente os benefícios tarifários caso considere que as importações brasileiras estejam prejudicando setores locais. Isso gera preocupações sobre o impacto
