Computação quântica: especialistas alertam que Q-Day pode demorar uma década, mas riscos de falta de preparação são significativos

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A computação quântica avança e exige uma mudança de paradigma nas empresas.

A computação quântica é frequentemente vista como uma promessa distante, restrita a laboratórios e pesquisas. No entanto, Bill Wisotsky, arquiteto de soluções para Computação Quântica do SAS, alerta que as empresas estão cometendo um erro ao adiar sua adoção.

Wisotsky enfatiza que a questão não é mais “se” a computação quântica será adotada, mas “quando”. Ele compara essa situação à evolução da inteligência artificial, destacando que aqueles que não iniciarem sua jornada agora estarão em desvantagem significativa no futuro.

O cenário atual mostra que a computação quântica já deixou de ser apenas uma questão tecnológica e se tornou uma questão organizacional. Ao contrário da inteligência artificial, que teve uma rápida adoção, a computação quântica requer uma mudança de paradigma nas organizações.

O especialista explica que a abordagem deve ser fundamentada na física, não apenas na ciência de dados. A dificuldade reside em repensar a estrutura dos problemas em um novo contexto. As primeiras tentativas da indústria falharam ao tentar “traduzir” problemas clássicos para o ambiente quântico, mas ao mudar essa perspectiva, começaram a surgir resultados positivos.

Computação quântica: do hype à utilidade

Wisotsky utiliza o termo “utilidade quântica” para descrever casos em que a computação quântica já está sendo aplicada com sucesso. Esses casos emergem em três áreas principais: otimização, machine learning quântico e simulações em química e desenvolvimento farmacêutico.

Ele compara a resolução de problemas clássicos a caminhar por uma montanha em busca de um lago, enquanto a computação quântica permite uma visão panorâmica, semelhante a estar em um helicóptero. Essa nova abordagem é possibilitada por conceitos como superposição e entrelaçamento, que expandem as soluções disponíveis e permitem a exploração de relações antes inacessíveis.

Vem aí o “Q-Day”

Embora as oportunidades na computação quântica sejam evidentes, os riscos também se tornam mais claros, especialmente no que diz respeito à segurança. O “Q-Day” é o momento em que computadores quânticos poderão quebrar a criptografia RSA, um dos métodos mais utilizados para proteger dados online.

Esse cenário, que antes parecia distante, está se aproximando rapidamente devido aos avanços na tecnologia quântica. Já existe o fenômeno de “coletar agora, descriptografar depois”, onde dados estão sendo roubados e armazenados para serem acessados no futuro. Portanto, o risco não é apenas teórico; ele já é uma realidade.

A regulamentação se torna um tema crucial para mitigar esses riscos. Wisotsky aponta que o debate sobre regulamentação está apenas começando, mas é inevitável e seguirá um caminho similar ao da inteligência artificial. A preocupação principal está relacionada ao uso de algoritmos que podem comprometer a criptografia atual.

Mercado fragmentado

O ecossistema quântico é ainda altamente fragmentado, ao contrário da inteligência artificial, que rapidamente se concentrou em poucas empresas. Existem diversas modalidades de computação quântica, cada uma adequada para diferentes tipos de problemas.

Esse cenário é comparável ao início da computação pessoal, quando várias abordagens competiram até que algumas se consolidaram. O mercado quântico já movimenta cifras significativas, com estimativas apontando para trilhões de dólares até 2035, considerando todo o ecossistema.

O SAS não busca competir com fabricantes de hardware, mas desenvolver uma camada de abstração que permita que empresas criem algoritmos sem a complexidade de diferentes fornecedores. O SAS Quantum Lab visa simplificar o processo, reduzindo a barreira de entrada e acelerando o aprendizado em um mercado que carece de talentos qualificados.

Efeito do tempo

Diferentemente de outras inovações tecnológicas, a computação quântica não terá um único “momento iPhone”. Wisotsky acredita que será um processo gradual, embora haja consenso de que entre 2030 e 2035, a chegada de computadores quânticos tolerantes a falhas representará uma virada significativa.

Entretanto, o mercado já está em movimento, com projetos reais e uso comercial em andamento. A maior preocupação não é a adoção tardia, mas a falta de compreensão sobre o que a tecnologia exige. As empresas estão começando a se preparar, construindo equipes

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