Allan Giangrossi reposiciona Qualcomm e aproxima marca Snapdragon do consumidor final
Qualcomm transforma sua abordagem de marketing em um cenário tecnológico em evolução.
A indústria de semicondutores, tradicionalmente invisível ao consumidor final, está passando por uma significativa transformação. A necessidade de inovação rápida e a diversificação de dispositivos exigem que as empresas do setor se posicionem de maneira mais visível e atrativa. Esse movimento é impulsionado pela exigência de se tornar uma marca desejada, não apenas uma fornecedora B2B.
Allan Giangrossi, diretor sênior de marketing da Qualcomm na América Latina, está à frente dessa mudança. Ele foi reconhecido por sua liderança na lista de Líderes de Marketing de Destaque de Tecnologia. Sua posição requer uma compreensão profunda da tecnologia e a habilidade de integrar diferentes áreas de negócios sob uma única marca, algo que representa um desafio considerável.
Da criação ao chip
A trajetória de Giangrossi na Qualcomm começou longe do mundo dos semicondutores. Formado em publicidade, ele iniciou sua carreira em um período em que as agências de publicidade dominavam o mercado. Sua experiência inclui passagens por agências de menor porte, comércio eletrônico, varejo e operadoras de telefonia, até chegar à Qualcomm em 2012.
Essa jornada o aproximou da essência técnica que sustenta o consumo de tecnologia. Para ele, a experiência em diferentes setores é um ativo competitivo, especialmente em uma empresa que precisa traduzir tecnologia complexa para públicos diversos. Giangrossi enfatiza que o marketing de tecnologia requer paixão, pesquisa e a capacidade de evoluir em conjunto com a empresa.
B2B que vira B2C
Ao ingressar na Qualcomm, Giangrossi encontrou uma empresa focada em vender componentes para fabricantes de smartphones. Com a emergência de novas categorias, como automotivo e IoT, a estratégia de marketing precisou se reinventar. A transformação mais impactante foi a adoção de um modelo B2B2C, que exige uma abordagem diferenciada para o consumidor final.
Essa mudança não se limitou ao marketing; também impactou áreas como compras e finanças. Construir uma marca de consumo em um setor historicamente B2B requer um esforço contínuo. Os resultados começam a aparecer, com a Qualcomm alcançando sua melhor posição histórica no ranking Best Global Brands.
Marca antes do racional
A abordagem da Qualcomm em patrocínios esportivos reflete uma compreensão profunda do comportamento do consumidor. O investimento significativo em patrocínios, como o do Manchester United, visa aumentar a visibilidade da marca e sua penetração em mercados estratégicos. A estratégia digital também é fundamental, com a comunidade Snapdragon Insiders crescendo rapidamente na América Latina.
O objetivo é expandir o reconhecimento da marca Snapdragon além dos entusiastas de tecnologia, atingindo um público mais amplo que não se considera um expert. O desafio é alcançar novos nichos de mercado, especialmente aqueles que adquirem dispositivos sem uma forte conexão com a tecnologia.
Verticais como nova fronteira
Enquanto a transformação B2C é notável, a atuação B2B da Qualcomm também está se expandindo. Setores como IoT estão se diversificando, com aplicações em logística, energia e agricultura, exigindo uma comunicação adaptada a públicos variados. Cada nova vertical traz desafios únicos e a necessidade de um relacionamento diferente com os clientes.
Um exemplo é o desenvolvimento de brincos eletrônicos para rastreamento de gado, que abre novas oportunidades no agronegócio. Essa abordagem verticalizada resulta em múltiplas operações dentro da mesma empresa, cada uma com suas próprias métricas e jornadas, todas sob a marca Snapdragon.
Giangrossi afirma que a construção da ponte entre o componente invisível e a marca desejada é um processo contínuo. Em um setor acostumado a mensurar avanços tecnológicos, agora também é crucial avaliar o progresso da marca na percepção do consumidor.
