China busca eliminar turmas de elite nas instituições de ensino
A China implementa reformas para desmantelar hierarquias escolares e promover igualdade educacional.
A China está tomando medidas significativas para desmantelar uma das hierarquias mais arraigadas em suas escolas: a classificação dos alunos em turmas por nível acadêmico.
Com a implementação de novas políticas em 2026, as autoridades educacionais exigem que os alunos sejam alocados em turmas de maneira aleatória e que os professores sejam distribuídos de forma equitativa. As novas regras proíbem explicitamente a formação de turmas de elite, conhecidas como “turmas-chave”, que historicamente concentraram os melhores alunos e recursos de ensino.
Essas reformas fazem parte de um esforço mais amplo para reduzir a desigualdade na educação obrigatória, que abrange o ensino fundamental e médio. No entanto, elas enfrentam um sistema profundamente enraizado que moldou a competição entre famílias e a gestão escolar ao longo dos anos.
HIERARQUIA OCULTA
As turmas-chave funcionam como níveis acadêmicos internos. Em Cantão, na província de Guangdong, as instituições de treinamento extracurriculares categorizam essas turmas em diferentes níveis, como superior, 1º nível e 2º nível.
Na megalópole industrial de Cantão, há cerca de 12.000 vagas em turmas de 2º escalão ou superiores, representando aproximadamente 10% do total de alunos. Essa proporção está intimamente ligada à linha de corte do exame de admissão ao ensino médio, conhecido como zhongkao, que considera os 10% melhores alunos como o limite para acesso às principais escolas da cidade e da província.
Os dados de desempenho mostram uma clara correlação entre os níveis de turma e os resultados dos exames. Alunos em turmas de 2º escalão ou superiores tendem a ter notas médias que se aproximam do limite da linha de corte, enquanto os alunos das turmas regulares apresentam resultados significativamente mais baixos.
Os alunos das turmas de elite avançam mais rapidamente no conteúdo, pois os professores dedicam mais tempo ao ensino do que à gestão da sala de aula. Em contraste, os professores das turmas de nível inferior frequentemente gastam tempo considerável mantendo a ordem durante as aulas.
Defensores dessa hierarquia argumentam que ela assegura que os melhores alunos se destaquem, enquanto críticos apontam para seu potencial de corrupção e a negligência em relação aos alunos das turmas inferiores.
Esse sistema se autoalimenta, com alunos de turmas de elite do ensino fundamental ingressando nas escolas de ensino médio mais prestigiadas e, consequentemente, aumentando suas chances de acesso às melhores universidades.
SELEÇÃO ALÉM DAS REGRAS
Embora a alocação de alunos nas turmas deva ser aleatória, historicamente, as escolas selecionam os estudantes antes ou após a matrícula.
Um sistema paralelo, baseado em currículos com certificados de competições, exames de inglês e prêmios em Olimpíadas de Matemática, serve como um indicador em um processo de seleção não oficial e opaco.
Ainda mais decisivos são os chamados “exames secretos”, organizados por canais informais, que permitem às escolas identificar os melhores alunos antes da matrícula. Testes de nivelamento após a matrícula podem classificar ainda mais os alunos em diferentes níveis.
Um professor comentou: “Só acreditamos nos nossos próprios resultados”.
Informações sobre essas competições e exames secretos são muito procuradas, mas, após repressões oficiais, é difícil obtê-las. Um pai em Cantão mencionou: “Existe todo um conjunto de códigos correspondentes a diferentes escolas e atividades, que pessoas de fora não conseguem entender”.
A REFORMA CHEGA
No dia 4 de fevereiro, o Departamento de Educação da Província de Guangdong publicou um documento que corrige a prática de “seleção de talentos”, exigindo a implementação de turmas equilibradas durante a educação obrigatória e proibindo a criação de turmas prioritárias.
Em 22 de abril, as autoridades de Cantão anunciaram que a alocação de turmas seria centralizada em uma plataforma única, que distribuiria aleatoriamente alunos e professores. O processo será supervisionado e registrado publicamente, com os resultados divulgados imediatamente.
O objetivo é eliminar a concentração de recursos e a estratificação associ
