EUA disponibilizam mais de US$ 1 milhão por informações sobre frigoríficos investigados, incluindo JBS e Marfrig
Trump ordena investigação sobre preços abusivos da carne nos EUA
O governo dos Estados Unidos anunciou uma recompensa que pode ultrapassar US$ 1 milhão para quem fornecer informações sobre frigoríficos envolvidos em práticas comerciais abusivas.
Recentemente, o Departamento de Justiça revelou que revisou mais de 3 milhões de documentos e ouviu centenas de pessoas do setor, incluindo pecuaristas e produtores, como parte de uma investigação mais ampla.
A recompensa pode variar de 15% a 30% do valor das multas aplicadas às empresas, que devem ultrapassar US$ 1 milhão. O pagamento será feito a quem fornecer informações sobre possíveis crimes concorrenciais ou fraudes.
A Marfrig, uma das empresas afetadas, declarou que respeita as leis de defesa da concorrência e destacou que, nos EUA, a National Beef opera em parceria com 700 produtores locais, que possuem cerca de 18% do capital da empresa.
A JBS, outra gigante do setor, não respondeu a solicitações de comentários até o fechamento desta reportagem.
Foco nas empresas brasileiras
A JBS é considerada a maior produtora de carne nos EUA, enquanto a National Beef ocupa a quarta posição, sendo reconhecida como a mais lucrativa do setor no país.
A secretária de Agricultura dos EUA, Brooke Rollins, expressou preocupação com a propriedade estrangeira de grandes processadores de carne, que ela considera uma ameaça ao mercado local.
“Uma empresa de propriedade brasileira detém cerca de um quarto do mercado e possui um histórico documentado de corrupção internacional e atividade ilícita”, afirmou a secretária.
Ela também mencionou a associação da empresa a casos de corrupção e cartéis, ressaltando que isso prejudica tanto os pecuaristas independentes quanto os consumidores americanos.
Além disso, Peter Navarro, conselheiro do presidente Trump, comentou que o lobby da carne, representado por brasileiros, teria pressionado a Casa Branca em resposta a tarifas impostas, resultando na desvio de carne dos EUA para a China.
Menos gado no pasto
Os estoques de gado nos EUA caíram ao nível mais baixo em quase 75 anos, devido à redução dos rebanhos pelos fazendeiros, que enfrentam uma seca prolongada que comprometeu as pastagens e elevou os custos de alimentação.
Apesar de serem grandes produtores, os EUA ainda dependem da importação de carne para atender à demanda dos consumidores, que se mantém forte e pressiona os preços.
A escassez de oferta levou os frigoríficos a pagarem mais pelo gado destinado à produção de hambúrgueres e bifes.
- Em dezembro, a JBS anunciou o fechamento permanente de uma fábrica na Califórnia, que era responsável por preparar carne bovina para venda em supermercados dos EUA.
- O rival Tyson Foods também informou, em janeiro do ano passado, sobre o fechamento de uma importante fábrica de abate de gado em Nebraska, que empregava cerca de 3.200 pessoas.
Pecuaristas insatisfeitos
Pecuaristas norte-americanos têm criticado Trump desde outubro, quando o presidente sugeriu aumentar as importações de carne bovina da Argentina para reduzir os preços nos EUA, que estavam em níveis recordes.
“Os pecuaristas, que eu amo, não entendem que a única razão pela qual estão indo bem, pela primeira vez em décadas, é porque eu impus tarifas sobre o gado que entra nos EUA, incluindo uma tarifa de 50% sobre o Brasil”, afirmou Trump em sua rede social.
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