Vorcaro aponta falta de liquidez e veto do BC como causas da crise do Master

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Banqueiro Daniel Vorcaro aponta problemas de liquidez como causa da liquidação do Banco Master

O banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, atribuiu a crise que levou à liquidação da instituição a uma combinação de problemas de liquidez, aumento de resgates e decisões regulatórias que inviabilizaram a continuidade do banco. Essas declarações foram feitas em depoimento à Polícia Federal, no qual ele detalhou as circunstâncias que culminaram na situação crítica do banco.

Vorcaro afirmou que, até poucas semanas antes da intervenção do Banco Central, o Master vinha cumprindo com suas obrigações financeiras. Ele destacou que, apesar da crescente pressão sobre o caixa, todos os pedidos de resgate foram atendidos até meados de novembro. “Até o dia 17 não existiu um cliente que pediu o resgate e que não tenha sido honrado”, declarou, enfatizando a solidez da instituição até aquele momento.

O banqueiro reconheceu, no entanto, que o banco enfrentava uma grave crise de liquidez, uma situação comum em instituições financeiras durante períodos de estresse. Ele explicou que os bancos não mantêm em caixa recursos equivalentes a todos os depósitos, o que faz parte do funcionamento normal do sistema financeiro. “Nenhum banco tem disponível a liquidez de todas as contas”, afirmou.

Tentativa de evitar a quebra

Em seu depoimento, Vorcaro revelou que fez esforços pessoais para evitar o colapso do Banco Master, incluindo aportes de seu próprio patrimônio e a cessão de ativos ao banco. Ele destacou que, nos meses finais da crise, utilizou recursos pessoais para reforçar o caixa da instituição, negando qualquer benefício financeiro ou desvio de recursos. “Nos últimos seis meses, eu fiz cessão de ativos pessoais e integralizei esse recurso no banco”, declarou.

Além disso, o banqueiro rejeitou a ideia de que a crise tenha sido causada por fraudes intencionais. Ele argumentou que a situação se agravou após a negativa do Banco Central em aprovar uma operação com o Banco de Brasília (BRB), que poderia ter proporcionado uma solução estrutural para o Master.

Impacto da negativa do BRB

No depoimento, Vorcaro sustentou que a negociação com o BRB foi uma alternativa estruturada para equilibrar a situação financeira do banco, com acompanhamento técnico do regulador. Ele afirmou que a rejeição da operação acelerou o colapso do Master. “O negócio com o BRB foi construído tecnicamente dentro do Banco Central”, disse, ressaltando que a frustração da negociação teve efeitos sistêmicos no sistema financeiro.

Pouco após a negativa, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, alegando que a instituição não conseguia honrar suas obrigações financeiras.

Liquidez, resgates e intervenção

Vorcaro reconheceu a gravidade da situação enfrentada pelo banco no momento da intervenção, mas afirmou que a crise foi administrada até o limite possível. Ele destacou que o Master continuava operando e buscando soluções até ser atingido pelas medidas mais severas do regulador.

O banqueiro também afirmou que a liquidação ocorreu sem uma chance real de recuperação. “Se tivesse havido apoio político, eu não estaria aqui de tornozeleira”, disse, refutando suspeitas de interferência externa que poderiam ter evitado a quebra da instituição.

A Polícia Federal investiga se a crise do Master foi agravada por emissões de créditos sem lastro, especialmente através da Tirreno Consultoria, e se houve tentativas de transferir esse risco ao BRB. Vorcaro, no entanto, negou ter conhecimento de irregularidades e afirmou que acreditava na regularidade das operações até que surgissem os questionamentos.

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