Queda de 97% nos casos e mortes por dengue no Rio Grande do Sul entre janeiro e abril

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Queda drástica nos casos de dengue no Rio Grande do Sul reflete esforços de controle e vacinação

Dados recentes da Secretaria Estadual da Saúde (SES) revelam uma queda alarmante de 97,1% nos casos de dengue no Rio Grande do Sul entre 1º de janeiro e 8 de maio de 2026, em comparação ao mesmo período do ano anterior. Com 994 confirmações, a redução é significativa em relação a 35.433 casos registrados em 2025. As mortes causadas pela doença também apresentaram uma diminuição expressiva de 96,8%, passando de 32 para apenas um óbito.

O governo do estado atribui essa queda aos esforços contínuos de controle do mosquito Aedes aegypti, principal vetor da dengue, realizados pelo Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Cevs). Além das ações de combate, fatores climáticos favoráveis e a vacinação de grupos prioritários foram destacados como relevantes para essa diminuição nos números.

Especialistas ressaltam que, mesmo com a redução, é imprescindível manter as campanhas de prevenção e controle do mosquito. Roberta Vanacor, responsável pela Vigilância Epidemiológica do Cevs, enfatiza que o controle deve ser uma prioridade constante, principalmente considerando que, em 2022, o total de casos atingiu 52.794, resultando em 53 mortes. Historicamente, abril é o mês com maior incidência da dengue no estado.

Prevenção

Um dos métodos eficazes de monitoramento e controle da proliferação do Aedes aegypti é o uso de “ovitrampas”, armadilhas que coletam ovos do mosquito, ajudando na detecção de infestações. Atualmente, essa técnica está implementada em 342 dos 497 municípios do estado, representando quase 70% das prefeituras. Em comparação com o ano passado, o número de municípios que instalaram ovitrampas caiu de 238 para 104 no mesmo intervalo.

Outro recurso utilizado é a borrifação residual intradomiciliar (BRI), que está presente em 224 municípios, ou 45% do total. Entre janeiro e maio de 2025, 119 secretarias municipais utilizavam essa técnica, número que subiu para 223 em 2026, evidenciando uma expansão de quase 88%. Essa técnica envolve a aplicação de inseticida em locais estratégicos das residências, proporcionando uma proteção duradoura contra o mosquito.

Condições climáticas

O inverno de 2025 foi mais rigoroso do que nos anos anteriores, e a primavera apresentou condições mais secas, fatores que contribuíram para a diminuição dos criadouros do mosquito no início do verão de 2026. Apesar dessas condições favoráveis, o monitoramento das áreas permanece fundamental para garantir que a tendência de queda nos casos continue.

As projeções meteorológicas para o próximo semestre indicam que o fenômeno “El Niño” poderá causar um aumento nas temperaturas e nos níveis de chuva, condições que podem facilitar a proliferação do mosquito e a transmissão da dengue em 2027.

Vacinação

Desde 2024, o Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza a vacina contra dengue, contribuindo para a redução dos casos, embora de maneira limitada, já que a imunização é direcionada a grupos específicos, como crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, que têm maior risco de complicações. Inicialmente restrita a áreas prioritárias, a vacinação foi expandida para todos os municípios desde fevereiro de 2026.

A vacina utilizada é o Qdenga, fabricada pela empresa japonesa Takeda Pharma, enquanto o Ministério da Saúde também introduziu a Butantan-DV, a primeira vacina nacional de dose única. Os primeiros lotes foram distribuídos no Rio Grande do Sul, inicialmente para trabalhadores da saúde do SUS, com a imunização da população em geral sendo realizada gradualmente, começando pelos mais jovens.

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