Dino rejeita pedido de prisão domiciliar para Deolane Bezerra

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Ministro do STF nega liberdade a Deolane Bezerra, presa por lavagem de dinheiro ligada ao PCC.

O ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino, rejeitou o pedido de liberdade da advogada e influenciadora digital Deolane Bezerra, que está presa preventivamente desde o dia 21 de maio de 2026. Ela é suspeita de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro relacionado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

A decisão do ministro foi assinada no dia 23 de maio e publicada no dia seguinte. A defesa de Deolane havia solicitado a revogação da prisão, propondo o regime domiciliar ou a aplicação de medidas cautelares alternativas, mas o ministro não deu seguimento à reclamação.

Dino destacou que o STF não deve ser utilizado como um atalho para contestar decisões de primeira instância. Ele afirmou que a decisão atacada é proferida em primeiro grau de jurisdição e que existem meios adequados para impugnação. Além disso, o ministro não encontrou ilegalidades que justificassem a concessão do habeas corpus.

PRISÃO DE DEOLANE

A prisão de Deolane ocorreu durante a operação Vérnix, que investiga a lavagem de dinheiro para o PCC. A Justiça também emitiu ordens de prisão contra Marco Herbas Camacho, conhecido como Marcola, e outros envolvidos, incluindo parentes e operadores financeiros da facção.

A operação investiga o uso de uma transportadora de cargas em Presidente Venceslau (SP) como fachada para movimentar dinheiro da cúpula do PCC. A estrutura teria sido utilizada para transferir valores a familiares de Marcola e a terceiros.

Após passar algumas semanas em Roma, na Itália, Deolane retornou ao Brasil em 20 de maio, quando foi presa. Agentes realizaram mandados de busca e apreensão em endereços associados à influenciadora, incluindo sua residência em Barueri (SP).

Além de Deolane, Everton de Souza, conhecido como Player, foi preso por ser apontado como operador financeiro da organização. Mandados de prisão também foram emitidos contra Alejandro Camacho, irmão de Marcola, e seus sobrinhos, que estão fora do Brasil.

Marcola e Alejandro Camacho já estão detidos na Penitenciária Federal de Brasília. A Justiça também determinou bloqueios patrimoniais e financeiros significativos, incluindo 39 veículos avaliados em mais de R$ 8 milhões e R$ 357,5 milhões em bloqueios financeiros dos investigados.

A investigação teve início em 2019, após a apreensão de bilhetes e manuscritos de presos na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau, que mencionavam ordens internas da facção e contatos com líderes. Um trecho mencionou uma “mulher da transportadora”, levando os investigadores a apurar a relação entre a empresa de cargas e o PCC.

Em 2021, a operação Lado a Lado revelou movimentações financeiras incompatíveis e o uso da transportadora como braço financeiro do PCC. A apreensão do celular de Ciro César Lemos, operador central do esquema, trouxe à tona evidências de repasses a Deolane.

De acordo com as investigações, Deolane recebeu mais de R$ 1 milhão em depósitos fracionados entre 2018 e 2021, além de quase R$ 716 mil em depósitos a suas empresas. A polícia não encontrou justificativas para esses repasses, levando a Justiça a considerar a possibilidade de fuga e ocultação de patrimônio.

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