Padre é sentenciado a 18 anos de prisão em Guaíba por abuso sexual de criança e pornografia infantil
Padre é condenado a 18 anos por abuso sexual de criança e pornografia infantil.
A Justiça do Rio Grande do Sul proferiu uma sentença condenatória contra um padre, que foi acusado de estupro de vulnerável e de armazenar pornografia infantil. O religioso, que já se encontrava em prisão preventiva, recebeu uma pena de 18 anos em regime fechado, sem possibilidade de recorrer em liberdade.
Os crimes ocorreram entre maio e agosto de 2024, durante enchentes que afetaram a região. O padre, que atuava em Guaíba, se aproveitou da situação para abusar de uma menina de apenas 9 anos em uma casa paroquial. Durante a investigação, foram descobertos materiais pornográficos em um pendrive que estava sob sua posse no quarto onde dormia.
A juíza da 1ª Vara Criminal, Andreia da Silveira Machado, destacou que a decisão foi baseada em provas robustas que comprovam tanto os atos quanto a autoria do sacerdote. Os elementos que foram considerados incluem laudos periciais, um relatório multiprofissional e testemunhos, incluindo o depoimento especial da vítima.
A magistrada ressaltou a importância da palavra da vítima nesse tipo de crime, rebatendo a defesa do réu, que argumentou sobre a fragilidade do relato da criança devido a mudanças em sua narrativa. Ela afirmou que “não há mínima prova de que a vítima criou tal enredo repulsivo” e lembrou que a revelação sobre abusos ocorre de forma gradual e dependente do ambiente emocional da criança.
A juíza classificou as consequências do crime como “incalculáveis e devastadoras”, alertando que a menina carregará o trauma da violência sexual por toda a vida. Ela também enfatizou que a gravidade de tais crimes aumenta quando o agressor ocupa uma posição de autoridade e confiança, como um sacerdote. A figura de respeito social do adulto pode dificultar a credibilidade da vítima, que é muitas vezes confrontada pela imagem pública positiva do acusado.
O Ministério Público deixou claro que o réu se aproveitou de sua condição sacerdotal e da relação de hospitalidade com a família da criança, que estava sob sua proteção durante as enchentes. O caso levanta sérias questões sobre a exploração de vulnerabilidades em contextos de confiança e autoridade.
