Exportações do agronegócio no Rio Grande do Sul superam R$ 16 bilhões no primeiro trimestre
Exportações do agronegócio do Rio Grande do Sul alcançam US$ 3,2 bilhões no primeiro trimestre de 2026.
O agronegócio do Rio Grande do Sul apresentou um desempenho significativo nas exportações, totalizando US$ 3,2 bilhões entre janeiro e março de 2026. Esse resultado representa 72% das vendas externas do Estado e marca o quarto melhor desempenho para o período nos últimos anos, apesar de uma queda de 3,8% em comparação com o mesmo trimestre do ano anterior.
Inúmeros fatores contribuíram para essa redução nas exportações, com destaque para a diminuição das vendas do complexo soja, do fumo e de produtos florestais. O complexo soja, em particular, sofreu uma retração de 27,2%, influenciada pela menor disponibilidade do produto devido a problemas de safra causados por estiagem em 2025. Embora a soja em grão tenha enfrentado desafios, seus derivados, como óleo e farelo, apresentaram crescimento.
A análise detalhada foi divulgada em um boletim sobre indicadores do agronegócio, que contou com a coordenação de um especialista do Departamento de Economia e Estatística. Os dados revelam que, apesar da queda geral, segmentos como o de carnes mostraram um desempenho notável, com exportações que alcançaram US$ 743,1 milhões, um aumento de 22,4% em relação ao ano anterior, estabelecendo um novo recorde para o primeiro trimestre.
A carne suína destacou-se, apresentando um crescimento de 49,6%, enquanto a carne bovina subiu 44,8%, impulsionada pela valorização dos preços no mercado internacional. Adicionalmente, as exportações de animais vivos aumentaram 147,4%, atingindo um recorde com embarques de cerca de 84 mil bovinos, principalmente para a Turquia. As vendas de máquinas e implementos agrícolas também aumentaram, com alta de 24,2%.
A retração observada nas exportações de fumo e produtos florestais foi atribuída a uma combinação de fatores, incluindo a diminuição da quantidade embarcada e uma baixa na demanda, especialmente da China, que impactou o fumo. As vendas de produtos florestais, especialmente celulose e madeiras, também caíram, refletindo uma diminuição nas exportações para os Estados Unidos.
Apesar das dificuldades enfrentadas, o agronegócio gaúcho conseguiu expandir sua presença em novos mercados. As exportações para o Egito aumentaram 174,6%, impulsionadas pelo milho, enquanto as vendas para as Filipinas cresceram 158,2%, principalmente devido à carne suína. A União Europeia também viu um aumento de 18,2% nas importações do setor. No entanto, as vendas para China e Vietnã apresentaram queda, impactadas pela redução da demanda por soja, fumo e farelo de soja.
No que diz respeito ao mercado de trabalho, o agronegócio liderou a geração de empregos formais no Rio Grande do Sul, representando 49,3% das novas contratações, com um saldo positivo de 23.123 postos de trabalho. As atividades agroindustriais foram as que mais contribuíram, com a criação de 15.137 novas vagas. O setor de abate e fabricação de carnes atingiu um número recorde de 72.461 vínculos ativos em março.
As perspectivas para os próximos meses são otimistas, com a expectativa de recuperação nas exportações do complexo soja, com a entrada da safra de 2026, que deve alcançar 18,3 milhões de toneladas, um aumento significativo em relação ao ano anterior.
