Esqueleto de baleia sustenta ecossistema marinho por décadas

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Esqueleto de baleia no fundo do mar desafia expectativas de decomposição.

Em 2010, um esqueleto de baleia foi encontrado a 1.280 metros de profundidade, próximo à Ilha de Vancouver, no Canadá. Os ossos estavam expostos no fundo do mar, e os especialistas acreditavam que a carcaça não resistiria mais de uma década antes de se desintegrar completamente.

No entanto, um estudo recente revelou que, passados mais de quinze anos, os ossos permanecem no mesmo local e a comunidade de organismos que se alimenta deles não apenas sobreviveu, mas também cresceu ao longo do tempo. Essa descoberta desafia as previsões anteriores sobre a decomposição de carcaças marinhas.

O esqueleto, localizado na Encosta de Clayoquot, pertence a uma baleia-azul ou a uma baleia-fin, medindo aproximadamente 16,5 metros. Uma equipe de pesquisadores monitorou a área entre 2009 e 2024, utilizando veículos operados remotamente para capturar imagens em alta definição e criar modelos tridimensionais precisos do local.

O ambiente em que o esqueleto se encontra apresenta níveis de oxigênio extremamente baixos, mas a vida marinha continua a prosperar. A decomposição da carcaça ocorre em várias fases, começando com grandes necrófagos e, posteriormente, organismos menores que colonizam os ossos e o sedimento ao redor. Bactérias internas quebram lipídios sem oxigênio, liberando sulfeto de hidrogênio, que sustenta uma comunidade especializada.

Pesquisas anteriores indicavam que a fase bacteriana da decomposição poderia durar cerca de 10 anos, mas novos estudos sugerem que essa duração pode se estender por várias décadas, dependendo das condições do ambiente. No caso dos ossos na Encosta de Clayoquot, entre 2012 e 2023, as mudanças estruturais foram mínimas, com uma perda média inferior a 2% em algumas vértebras.

A superfície dos ossos foi coberta por tapetes microbianos, que se intensificaram ao longo dos anos, evidenciando a atividade de bactérias que consomem compostos da decomposição interna. Em 2009, vermes do gênero Osedax eram encontrados nos ossos, mas em 2023, esses organismos desapareceram completamente.

Além disso, o crânio da baleia se tornou um berçário inesperado para caracóis de águas profundas, com várias massas de ovos fixadas diretamente nos ossos, um fenômeno nunca observado antes. A expansão da zona de mínimo oxigênio no Pacífico também é uma preocupação crescente, pois reduz as áreas habitáveis para diversas espécies marinhas.

Cientistas alertam que a diminuição dos níveis de oxigênio pode impactar organismos como vermes comedores de ossos, alterando a dinâmica da decomposição e prolongando a permanência de esqueletos no fundo do oceano. O estudo conclui que um único esqueleto pode sustentar comunidades complexas por décadas, funcionando como um ecossistema completo e contribuindo para a compreensão do ciclo de carbono no oceano profundo.

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