A transformação do saneamento no Rio Grande do Sul: avanços e desafios até 2033
Corsan/Aegea amplia capacidade de produção de tubos para projetos de saneamento em Esteio
Em Esteio, a Corsan/Aegea implementou uma nova fábrica de tubos com uma capacidade de produção de 200 km por mês, visando atender a crescente demanda dos projetos de saneamento na região.
A transformação do sistema de saneamento no Rio Grande do Sul teve início em julho de 2023, quando o Grupo Aegea assumiu a gestão da Corsan. Antes dessa mudança, a situação era alarmante: 257 dos 317 municípios atendidos apresentavam cobertura de esgoto zero, com apenas 19% da população beneficiada.
Nos últimos dois anos, a cobertura de esgoto aumentou para 29%, impactando positivamente mais de 850 mil pessoas, além da adição de mais de mil quilômetros de redes. Esse progresso representa um terço do que foi realizado em quase seis décadas anteriores.
Os investimentos em 2025 superaram R$ 2 bilhões, com metade desse valor direcionado a obras já concluídas. Um total de 545,6 quilômetros de novas redes de esgoto foi instalado, o que equivale à distância entre Porto Alegre e Florianópolis, resultando em 41.962 novas ligações de esgoto.
Esse avanço trouxe benefícios diretos para mais de 1 milhão de pessoas, gerou 2.577 empregos e eliminou anualmente a quantidade de esgoto equivalente a 2,9 mil piscinas olímpicas que antes eram despejadas sem tratamento.
Para 2026, o planejamento prevê a instalação de 1.741 quilômetros de redes e 155.836 novas ligações, com a expectativa de gerar 7.373 empregos. A expansão deverá atender mais 955 mil pessoas e prevenir o despejo anual de 7,2 mil piscinas olímpicas de esgoto sem tratamento.
Em 2025, as obras de saneamento já estavam transformando diversas cidades. Apenas os projetos concluídos beneficiaram mais de 1 milhão de habitantes. Municípios como Esteio, Pedras Altas e Aceguá já superaram a marca de 90% de cobertura de esgoto. Cidades como Viamão, Gravataí, Santa Maria, Canoas, Bento Gonçalves, Cachoeirinha e Lajeado também estão entre as beneficiadas, com aproximadamente 1,093 milhão de gaúchos atendidos.
Os investimentos em saneamento têm o potencial de gerar cerca de 47,2 mil empregos anuais no Estado, dos quais 5,3 mil são diretos. Na área da saúde, a relação é igualmente significativa; em 2024, foram registradas 11.713 internações por doenças relacionadas à água. A melhoria do saneamento é uma medida eficaz para combater essas enfermidades, como demonstrado pelos resultados positivos em projetos anteriores no Brasil.
O desafio até 2033 é universalizar o acesso ao saneamento, mirando 99% da população com água tratada e 90% com coleta e tratamento de esgoto. Apesar dos avanços, o trabalho contínuo é vital para enfrentar o histórico de subinvestimento na área.
A entrada do Grupo Aegea na Corsan reposiciona o saneamento como uma importante estratégia de desenvolvimento. Além da saúde pública, a melhoria do sistema de saneamento pode impulsionar a valorização imobiliária, o turismo e a produtividade. Se o ritmo de investimentos e obras for mantido, o Estado pode transformar desafios antigos em oportunidades significativas de crescimento econômico e social até 2033.