Abert, Aner e ANJ reagem a decisões judiciais após cancelamento de debate da Globo
Entidades de comunicação criticam cancelamento de debate presidencial na TV Globo.
A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), a Associação Nacional de Editores de Revistas (Aner) e a Associação Nacional de Jornais (ANJ) manifestaram sua insatisfação com as decisões judiciais que levaram ao cancelamento do debate presidencial do primeiro turno da TV Globo, agendado para o dia 1º de outubro. Em uma nota conjunta, as entidades expressaram apoio à emissora e alegaram que houve uma interferência nas regras previamente acordadas com os partidos políticos.
As associações enfatizaram que as determinações judiciais extrapolaram os limites da imposição de obrigações que não são previstas por lei para uma emissora privada. O comunicado destaca que essa situação representa uma violação à liberdade de imprensa, ao forçar a condução do debate em desacordo com as normas estabelecidas há meses entre a emissora e os partidos.
Além disso, o documento ressalta que o cancelamento do debate prejudica o eleitorado. As entidades afirmam que os excessos judiciais impediram que os cidadãos tivessem acesso às propostas dos candidatos convidados, que estavam dispostos a participar do evento.
Decisões judiciais impactaram o formato e a participação no debate
A TV Globo anunciou o cancelamento após receber duas notificações judiciais na noite anterior ao debate. Uma das decisões, assinada pela ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), atendeu a um pedido da coligação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e impediu a exibição do púlpito vazio com o nome do candidato ausente, além de perguntas direcionadas a ele.
A regra previamente acordada com as campanhas permitia a manutenção do espaço identificado do candidato que não comparecesse e a possibilidade de questionamentos a esse candidato. A ministra argumentou que a participação é facultativa e que a dinâmica do debate poderia prejudicar o candidato ausente, sem dar a ele a chance de responder aos adversários.
A segunda determinação, do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), obrigou a emissora a incluir Renan Santos, candidato do partido Missão. A Globo também mencionou uma decisão anterior do presidente do TSE, ministro Nunes Marques, que assegurou a participação de Romeu Zema (Novo), alterando o entendimento sobre a contagem de parlamentares para os convites obrigatórios.
O cancelamento coincidiu com a ausência de Lula, que havia informado à emissora na quarta-feira, 30 de setembro, que participaria de uma entrevista ao vivo no Flow, transmitida pelos canais digitais do podcast no mesmo horário do debate.
Horas antes do evento, Flávio Bolsonaro (PL) anunciou sua desistência, atribuindo a decisão às restrições impostas pelo TSE. Outros candidatos, como Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante) e Romeu Zema, já estavam na emissora quando o debate foi cancelado.
Nota das entidades
A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT), a Associação Nacional de Editores de Revistas (ANER) e a Associação Nacional de Jornais (ANJ) expressam solidariedade à TV Globo e manifestam profunda indignação com a intervenção judicial nas regras previamente definidas que resultaram no cancelamento do último debate presidencial do primeiro turno.
As entidades acreditam que a interferência não se trata apenas de uma imposição de obrigações sem respaldo legal contra uma emissora privada. Trata-se, em essência, de uma agressão à liberdade de imprensa ao forçar a condução do debate em desrespeito às normas acordadas entre a emissora e os partidos.
Infelizmente, os excessos judiciais comprometeram o direito dos cidadãos de acessarem as propostas dos candidatos que, conforme a legislação eleitoral, já haviam sido convidados e estavam dispostos a participar do debate.
Brasília, 1º de outubro de 2026.
Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão
Associação Nacional de Editores de Revistas
Associação Nacional de Jornais