Abert revela que 80 jornalistas foram vítimas de ataques em 2025

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Relatório revela redução de violência contra a imprensa no Brasil em 2025.

O relatório da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) sobre Violações à Liberdade de Expressão revelou 66 casos de violência não letal contra jornalistas em 2025, afetando pelo menos 80 profissionais e veículos de comunicação. Embora tenha havido uma redução de 9,1% nos casos e de 5% no número de vítimas, a frequência de ataques à imprensa continua alarmante, com um incidente a cada cinco dias.

Os dados foram apresentados em Brasília, destacando que os números de 2025 estão próximos aos de 2019, que registrou 56 casos. Este período é considerado um dos menos violentos para a profissão. Nos últimos 14 anos, é a quarta vez que não houve assassinatos de jornalistas no Brasil, um dado que reflete uma tendência positiva em relação à violência letal.

As agressões físicas lideraram as violações, representando 39% do total, com 26 casos registrados e um aumento significativo em relação ao ano anterior. As cidades da região Sudeste foram as mais afetadas, concentrando 38% das ocorrências, seguidas pelo Centro-Oeste e Nordeste, que registraram cinco casos cada.

Os homens foram os principais alvos das agressões, com profissionais de emissoras de TV sendo os mais visados, frequentemente por descontentamento com a cobertura jornalística. Os principais agressores incluem políticos e torcedores de times de futebol, refletindo um ambiente hostil para a prática do jornalismo.

Para o presidente-executivo da Abert, a redução nos números não diminui a intolerância enfrentada pela imprensa, que ainda sofre ataques verbais e campanhas de ódio. Ele enfatiza a importância da liberdade de imprensa como um pilar essencial da democracia, alertando que a violência contra jornalistas representa uma ameaça à própria liberdade de expressão.

Ataques virtuais

Um levantamento da Bites, empresa de análise de dados, revelou que em 2025 foram registrados 900 mil ataques virtuais à imprensa, o que equivale a quase 2,5 mil agressões diárias. Este aumento de 35% em relação ao ano anterior é significativo, especialmente após uma série de quedas desde 2019, quando os ataques atingiram 3,2 milhões.

Os termos pejorativos como “lixo” e “golpista” voltaram a ser associados à mídia, em parte devido a reações a eventos políticos. Um novo aspecto deste levantamento é a análise do uso de inteligência artificial, que tem contribuído para a construção de uma percepção negativa sobre o jornalismo, com perguntas frequentes sobre o viés ideológico da imprensa.

As IAs analisadas, como ChatGPT e outras, revelaram que a dúvida mais comum entre os usuários é se a mídia brasileira tem um lado político. Essa questão reflete uma crescente desconfiança em relação à imparcialidade da imprensa.

O Brasil no mundo

No cenário internacional, o Brasil melhorou sua posição no ranking de liberdade de imprensa, agora ocupando a 63ª posição entre 180 países. Essa mudança é vista como um sinal positivo para o exercício do jornalismo no país, especialmente após a normalização das relações entre jornalistas e o governo.

Organizações internacionais destacam que a diminuição das agressões está relacionada a essa nova dinâmica. Contudo, a Unesco alerta para a alarmante estatística de mortes de jornalistas em todo o mundo, com mais de 1,8 mil profissionais mortos entre 2006 e 2025, muitos casos permanecendo sem solução.

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