Acordo entre EUA e Irã apresenta fragilidades, mas oferece alívio
Acordo de cessar-fogo entre Irã e EUA gera desconfiança, mas representa um avanço.
O anúncio de um acordo de cessar-fogo entre Irã e Estados Unidos na noite de domingo, 14, traz à tona mais desconfiança do que esperança, embora represente um avanço nas relações entre os dois países.
Historicamente, este pode ser o primeiro momento em que ambos os lados demonstram uma convergência real em seus discursos desde o início do conflito em 28 de fevereiro. Anteriormente, os Estados Unidos frequentemente anunciavam progressos nas negociações, enquanto o Irã desqualificava essas afirmações como mera especulação. A impressão era de que a administração Trump estava sozinha nesse processo, buscando uma saída para uma guerra impopular, especialmente com as eleições se aproximando.
Atualmente, a situação parece ter mudado. Iranians e norte-americanos estão se comunicando de forma mais alinhada, mesmo que cada parte tente se apresentar como a vencedora nesse processo ainda frágil e incerto.
No entanto, existem várias razões para a desconfiança. Primeiramente, o que foi anunciado é um cessar-fogo, com duração prevista de 60 dias, e não um acordo de paz definitivo. Isso significa que se trata de uma pausa na guerra, e, desde o início do conflito, já houveram outros cessar-fogos que foram violados repetidamente. O ciclo de acordos e violações pode se repetir a qualquer momento.
Outro ponto de preocupação é que o acordo ainda não foi assinado, com a oficialização prevista apenas para sexta-feira, em Genebra. A incerteza até a formalização do documento é alta, e há questões críticas que podem complicar as negociações: o Líbano e o urânio.
Sobre o Líbano, os diálogos estão sendo conduzidos entre os Estados Unidos e o Irã, com a mediação do Paquistão e do Qatar. Contudo, Israel, que tem seus próprios interesses na região, não foi consultado. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que também enfrenta eleições, pode optar por intensificar os ataques ao Hezbollah, o que poderia comprometer o acordo com o Irã.
Em relação ao urânio, que é central nas alegações que motivaram a guerra, não há informações sobre cláusulas do acordo que tratem do destino do programa nuclear iraniano. Isso levanta a possibilidade de que o assunto seja ignorado, levando a novas tensões e agressões, especialmente se houver desconfiança sobre o desenvolvimento de armamento nuclear por parte do Irã.
Apesar das incertezas, o fim imediato dos ataques pode ser celebrado, pois resulta em vidas poupadas, liberação do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz e queda no preço do petróleo, o que pode ter um impacto positivo na inflação. No entanto, é importante ressaltar que isso ainda é menos do que se tinha antes do início da guerra.
