Acordo Mercosul-União Europeia amplia oportunidades para empresas brasileiras
Brasil se prepara para expandir sua presença no comércio global com o Acordo Mercosul-União Europeia.
O Brasil está em um momento crucial para aumentar sua participação na economia global. A implementação do Acordo Comercial Interino (ITA) entre o Mercosul e a União Europeia vai além da simples redução de tarifas e do aumento das exportações. Este acordo é uma chance histórica para fortalecer a indústria nacional, diversificar mercados e estabelecer um modelo de desenvolvimento que priorize a inovação, competitividade e a criação de empregos.
Os dados mostram que já existe uma relação comercial robusta. Em 2025, cerca de 8.769 empresas brasileiras exportaram para a União Europeia, representando quase 30% das empresas exportadoras do país. Para maximizar esse potencial, a iniciativa Conexões Produtivas – Oportunidades para a Indústria no Acordo Mercosul-União Europeia, promovida por diversas entidades governamentais, percorrerá várias regiões do Brasil, incluindo Itajaí (SC), para conectar o setor produtivo às novas oportunidades geradas pelo acordo.
O empreendedorismo em Santa Catarina continua em forte ascensão. Dados recentes indicam que o Estado registrou a abertura de 94.332 pequenos negócios no primeiro trimestre de 2026, um aumento de 14,8% em comparação ao mesmo período do ano anterior. Esse crescimento supera a média nacional, que foi de 12,6%. Em comparação a 2024, a criação de novos pequenos negócios em Santa Catarina cresceu 49,6%, evidenciando a resiliência do ambiente empreendedor local.
Em Itajaí, os pequenos negócios geraram um saldo estimado de 2.500 novos empregos no primeiro trimestre de 2026. O município abriga quase 62 mil pequenos empreendimentos, focados em desenvolver atividades sustentáveis relacionadas ao mar e aos recursos hídricos, promovendo inovação e competitividade. O projeto Economia Azul, do Sebrae, está especialmente voltado para o setor naval e de defesa, onde Itajaí se destaca como referência nacional.
A criação do programa Conexões Produtivas é um passo significativo para conectar empresários a novas oportunidades de negócios, ajudando o Brasil a aumentar sua presença em um dos maiores mercados consumidores do mundo.
O tratado oferece oportunidades inéditas para micro, pequenas e médias empresas, mas seu sucesso depende de políticas públicas eficazes e do aumento da produtividade. Para Santa Catarina, um Estado com forte vocação industrial e agrícola, o acordo traz perspectivas promissoras. Setores como móveis, mel, café industrializado e alimentos processados terão acesso facilitado ao mercado europeu, o que pode estimular investimentos e fortalecer cadeias produtivas locais.
As políticas públicas desempenham um papel crucial nesse contexto. O acordo foi negociado de forma a preservar instrumentos que protejam os interesses nacionais e reconhece formalmente as micro, pequenas e médias empresas como fundamentais para o desenvolvimento econômico.
Pela primeira vez, um acordo comercial dessa magnitude inclui um capítulo específico dedicado às MPMEs, estabelecendo mecanismos para reduzir a burocracia, aumentar a transparência e simplificar os procedimentos aduaneiros, facilitando o acesso às informações necessárias para exportar.
O Brasil possui condições únicas para competir no cenário global, com uma indústria diversificada, um agronegócio eficiente e um ecossistema de pequenos negócios que movimentam a economia. No entanto, a competitividade não é apenas fruto do esforço individual. Ela requer investimentos públicos, políticas industriais sólidas, crédito, infraestrutura, inovação, educação profissional e instituições robustas que apoiem a produção.
O acordo entre o Mercosul e a União Europeia deve ser encarado como o início de uma nova fase de desenvolvimento econômico, e não como um objetivo final. Se o Brasil aproveitar este período de transição para modernizar suas empresas e fortalecer os pequenos negócios, estará mais preparado para competir em mercados internacionais, gerar empregos de qualidade e promover um crescimento econômico sustentável.
O futuro do comércio internacional pertence àqueles que conseguem equilibrar a abertura econômica com o fortalecimento da produção nacional. O Brasil está bem posicionado para ocupar esse espaço, com seus pequenos negócios prontos para serem protagonistas nessa nova fase.
