Adobe investe em governança para consolidar IA generativa além dos experimentos
A adoção de inteligência artificial na edição de vídeo revoluciona a produção jornalística.
Em uma redação de TV aberta em São Paulo, a pressão por agilidade é constante. Com 140 horas de conteúdo ao vivo por mês e uma equipe de oito editores de vídeo, cada segundo conta. Processos que antes levavam 15 minutos, como a limpeza de áudio de entrevistas, agora são realizados em apenas cinco minutos, graças à implementação de inteligência artificial.
A transformação na emissora Record News não envolveu apenas uma mudança de equipe, mas a integração de recursos de inteligência artificial nativa ao Adobe Premiere Pro. Essa inovação resultou em um aumento de 30% na produtividade, permitindo a adição de três novos programas à grade sem a necessidade de contratação adicional. A equipe se adaptou rapidamente, aprendendo a operar as novas ferramentas em menos de uma semana.
Esse caso é um reflexo de um movimento mais amplo no Brasil, onde diversas empresas estão amadurecendo sua relação com a inteligência artificial generativa. O foco agora é transformar ferramentas isoladas em processos eficientes, com retorno financeiro e governança adequada.
De acordo com especialistas, o maior desafio enfrentado pelas empresas hoje é cultural, mais do que tecnológico. A transição da utilização da IA generativa passou de uma fase experimental para uma busca por resultados financeiros tangíveis. Isso requer um diálogo entre diferentes departamentos que historicamente operavam de forma isolada.
Para que a transformação cultural e tecnológica ocorra, é fundamental que as áreas dentro das empresas se unam para entender as necessidades de cada uma. A governança surge como um aspecto crucial, definindo o impacto da IA e as regras que cada setor deve adotar.
Escala sem governança é risco
Uma analogia comum é comparar a entrega de ferramentas de geração de conteúdo a um iniciante na direção de um carro de alta performance. Sem a devida orientação, o uso irresponsável pode gerar riscos. A implementação de “guardrails”, que são métricas e regras de criação de conteúdo, é essencial para manter a qualidade e a identidade da marca, independentemente da localização da equipe criativa.
A propriedade intelectual também é um tema relevante nas discussões sobre IA generativa. A empresa em questão assegura que remunera fotógrafos cujas imagens são usadas para treinar seus modelos, além de oferecer cobertura contratual para eventuais danos a direitos autorais. Essa abordagem busca diferenciar a companhia em um mercado onde garantias ainda são escassas.
Com a linha Firefly e o ecossistema que a acompanha, a empresa deixou de ser apenas uma fornecedora de ferramentas para se tornar uma plataforma que automatiza campanhas inteiras, mantendo a identidade visual de uma marca. Um exemplo prático é uma empresa de e-commerce que, ao usar a tecnologia, consegue gerar automaticamente mais de cem variações de um produto sem a necessidade de produção manual de fotografias.
Da teoria à prática
Após um período de ceticismo, a adoção da IA generativa pela Adobe resultou em casos de sucesso em setores diversos, como direito, publicidade e finanças. Um escritório de advocacia, por exemplo, conseguiu aumentar a produtividade de seus estagiários, que passaram a revisar contratos de forma mais eficiente com o uso de uma plataforma que processa documentos localmente.
No setor publicitário, a agência Galeria se transformou em um hub de marketing ao permitir que seus clientes utilizem a plataforma da Adobe para criar campanhas em tempo real. Já no setor financeiro, a IA tem sido utilizada para direcionar campanhas de crédito de forma mais eficaz, otimizando o investimento antes mesmo do lançamento das campanhas.
Na Record News, a aplicação da tecnologia se traduz em eficiência na rotina de edição de vídeo. Recursos como edição baseada em texto e tratamento de áudio têm permitido que a emissora aproveite conteúdos que antes seriam descartados. Com a detecção automática de cenas e ajustes de cor, a equipe já observa potencial em futuras inovações, como a tradução e sincronização labial por IA.
Para a equipe da emissora, a preocupação não é a substituição de postos de trabalho, mas o uso ético da tecnologia. A credibilidade da informação é um pilar fundamental do jornalismo, e a adoção de ferramentas de IA é vista como um apoio, não como uma ameaça.
De gerar conteúdo a gerar relevância
A mudança de mentalidade em relação à IA está se consolidando entre empresas que buscam integrar essa tecnologia desde a concepção de projetos. A geração de conteúdo não é mais o único foco; agora, a relevância se torna o
