Advogado próximo a Flávio teria recebido documentos sigilosos do STJ e MPF, segundo site
Advogado investigado por fraudes na Previdência é acusado de receber informações privilegiadas.
O advogado Willer Tomaz, amigo do candidato Flávio Bolsonaro, está sob investigação por suspeitas de fraudes contra a Previdência. De acordo com a Polícia Federal, ele teria recebido minutas de decisões do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e manifestações do Ministério Público Federal (MPF) antes de sua publicação.
Entre os envolvidos na investigação, destaca-se o procurador aposentado Antônio Carlos Simões Soares, que, em 2019, era considerado um potencial indicado à Procuradoria-Geral da República e tinha ligações com Flávio Bolsonaro, embora Soares tenha negado tais vínculos.
Os investigadores levantam a hipótese de que Tomaz obteve documentos vazados do STJ através de Soares e outros contatos. A apuração indicou que o escritório de Tomaz ajustava suas estratégias com base nas informações recebidas.
Em resposta às acusações, Tomaz negou veementemente qualquer acesso irregular a decisões judiciais ou pareceres do MPF. Ele afirmou que sua atuação sempre respeitou a legislação e as prerrogativas da advocacia, considerando as insinuações como infundadas e distorcidas.
O advogado expressou estranhamento pelo fato de que informações sigilosas, que nem mesmo sua defesa tinha conhecimento, tenham sido divulgadas de forma seletiva em um período eleitoral, mencionando terceiros que não têm relação com a investigação. Ele prometeu tomar as medidas necessárias para esclarecer a situação e identificar a origem do vazamento.
A campanha de Flávio Bolsonaro foi contatada, mas ainda não se manifestou sobre as alegações envolvendo Tomaz. A investigação também revelou que uma holding de apostas online, da qual Tomaz é sócio, pagou voos entre Portugal e França para Flávio Bolsonaro em 2025.
Willer Tomaz é investigado por supostos repasses financeiros provenientes de fraudes contra a Previdência no escândalo do INSS. Ele e Jorge Barbosa Dias são os proprietários da Rede Loto, a primeira empresa de apostas a obter licença de operação no Brasil em 2023, emitida pelo governo do estado do Rio de Janeiro.
Segundo a investigação, pelo menos três trechos de voos em jato executivo foram contratados para Flávio e Willer através da empresa Cathedral, registrada na Ilha da Madeira. A Cathedral, única acionista da Rede Loto, tem como sócios Tomaz e Dias.
Em um contexto mais amplo, a situação levanta questões sobre a relação entre o sistema de justiça e a política, especialmente em tempos de eleição, onde a transparência e a ética são cruciais para a confiança pública.