Afastamento de Andrei Rodrigues por Mendonça evoca interferências de Bolsonaro na PF
Decisão do STF afasta diretores da Polícia Federal em meio a investigações internas.
A recente decisão do ministro André Mendonça, do STF, resultou no afastamento de Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, e Leandro Almada, chefe de inteligência do órgão. Essa ação remete a um período conturbado da corporação durante a presidência de Jair Bolsonaro, marcada por tentativas de interferência política.
A Segunda Turma do STF, com o apoio dos ministros Kassio Nunes Marques e Luiz Fux, formou a maioria necessária para validar a ordem de Mendonça. Gilmar Mendes pediu mais tempo para analisar o processo, mas isso não altera o efeito prático do afastamento.
A decisão de afastar os diretores foi motivada por um relatório interno da PF que serviu de base para o ministro Alexandre de Moraes solicitar uma investigação contra Mendonça por abuso de autoridade e improbidade administrativa. Essa investigação está relacionada a ações envolvendo o Banco Master e o INSS.
O pedido de Moraes ocorreu logo após Mendonça ter retirado o sigilo de um relatório que o vincula a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Especialistas afirmam que, apesar da necessidade de investigações sobre Moraes, Mendonça ultrapassou suas competências ao direcionar diretamente a PF na identificação de Vorcaro, sem consultar o plenário do STF.
Demissão de Maurício Valeixo
A exoneração de Maurício Valeixo, diretor-geral da PF, em abril de 2020, foi um marco na relação entre Bolsonaro e a corporação. A demissão levou à saída de Sergio Moro do Ministério da Justiça, que criticou a decisão do presidente por não apresentar justificativas claras.
Moro denunciou a intenção de Bolsonaro de obter acesso a informações confidenciais da PF. O ex-ministro prestou depoimento em uma investigação que analisava se Bolsonaro tentou interferir na autonomia da Polícia Federal, afirmando que sua saída se deu pela busca do presidente por um diretor mais alinhado.
Bolsonaro tentou nomear Alexandre Ramagem para o cargo, mas a indicação foi barrada por Moraes. Rolando de Souza acabou assumindo a posição e fez mudanças na superintendência da PF no Rio de Janeiro em maio de 2020.
Interferência na PF do Rio de Janeiro
Bolsonaro manifestou a intenção de alterar o comando da PF em diversas ocasiões, especialmente em resposta a investigações que envolviam pessoas próximas a ele, como os inquéritos sobre fake news e atos antidemocráticos.
Em agosto de 2019, o presidente anunciou a troca do superintendente da PF no Rio, justificando questões de gestão. No entanto, a própria corporação desmentiu a ligação entre a mudança e o desempenho do superintendente, que já era discutida internamente.
Naquele período, a PF enfrentava instabilidades devido ao escândalo das rachadinhas, que envolvia Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro, em investigações na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.
Acusações contra Flávio Bolsonaro
Flávio Bolsonaro foi acusado de liderar uma organização criminosa que coagia funcionários de seu gabinete a devolver parte de seus salários, um esquema conhecido como rachadinha, supostamente operado por Queiroz. Em 2020, ele foi formalmente denunciado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro.
Flávio, o “filho 01” de Bolsonaro, exerceu o cargo de deputado estadual antes de se tornar senador. Embora o caso não estivesse sob investigação da PF, o órgão realizava apurações relacionadas à corrupção na Alerj que envolviam figuras comuns.
As investigações sobre as rachadinhas foram encerradas após o STF e o STJ anularem provas coletadas, resultando em um cenário de incertezas sobre as movimentações financeiras de Flávio.
Intervenção admitida por Bolsonaro
Em maio de 2020, uma gravação da reunião ministerial de 22 de abril revelou que Bolsonaro admitiu querer mudar o superintendente da PF no Rio para proteger sua família. Ele expressou sua frustração por não conseguir fazer as trocas necessárias para garantir segurança a seus entes próximos.
Durante sua gestão, a PF teve quatro diretores-gerais:
