Agentes de IA transformam o C-level, mas decisão humana continua central, afirmam Dell e Whirlpool
A inteligência artificial transforma a liderança e a cultura empresarial.
O surgimento da inteligência artificial (IA) e a ascensão de agentes autônomos estão mudando os papéis de liderança nas empresas. CEOs, CIOs e CTOs enfrentam o desafio de equilibrar a inovação tecnológica com uma transformação cultural significativa.
Durante um painel no VTEX Day, especialistas discutiram a importância de ver a IA não apenas como uma ferramenta de tecnologia da informação, mas como um motor capaz de redefinir a forma como os negócios operam.
Diego Puerta, presidente da Dell Technologies no Brasil, alertou sobre o risco da “automação do inútil”, onde tecnologias avançadas são aplicadas a processos que não deveriam existir. Ele enfatizou que a IA deve ser utilizada para escalar operações, enquanto a decisão final deve permanecer nas mãos dos humanos.
Puerta fez uma analogia com o passado, quando se temia que o e-commerce eliminasse as lojas físicas. Ele acredita que a colaboração entre humanos e máquinas pode resultar em ganhos significativos.
A capacitação humana durante a era das máquinas
Na Whirlpool, a implementação da IA está diretamente ligada à vida cotidiana dos colaboradores. Roberta Nogueira, CIO da empresa, destacou a “Fábrica do Futuro” em Rio Claro (SP), que atua como um centro de automação e robótica.
A capacitação da equipe de manufatura é fundamental, permitindo que eles identifiquem oportunidades de otimização por meio da IA. Quando os funcionários percebem o valor do seu trabalho, a mudança acontece de forma natural.
Roberta também comentou sobre as diferenças entre a revolução da IA e a robotização, ressaltando que a IA tem a capacidade de organizar informações e identificar padrões em velocidades que superam a capacidade humana.
Ela enfatizou que, embora a IA resolva problemas complexos, a tomada de decisão permanece uma responsabilidade humana.
Casos reais da relevância humana
O painel apresentou exemplos práticos de eficiência. Puerta mencionou um projeto em um terminal portuário onde agentes de IA otimizaram o uso de espaço, considerando variáveis como fluxo de navios e condições climáticas. Isso resultou em um aumento significativo de eficiência, mantendo o poder de decisão com operadores experientes.
No setor de consumo, Roberta Nogueira detalhou como a Brastemp utiliza IA para personalizar a experiência de compra, ajudando a entender as necessidades específicas de cada cliente e sugerindo produtos adequados.
“O consumidor é único, e a IA nos permite lidar com essa complexidade, garantindo que os produtos atendam às necessidades reais dos compradores”, destacou Roberta.
O painel concluiu com uma visão positiva sobre o futuro do trabalho. Embora a quantidade de pessoas necessárias para certas funções possa mudar, o elemento humano continua sendo essencial para a ética e o contexto nas decisões empresariais.
“Os negócios são construídos entre pessoas. A IA pode aumentar nossa produtividade e melhorar nossa qualidade de vida, mas a essência das relações profissionais ainda é o que fundamenta as empresas”, finalizou Puerta.
