Agricultores franceses interditam ruas de Paris em protesto contra acordo da União Europeia com o Mercosul
Agricultores franceses protestam contra acordo comercial da UE com Mercosul.
A França vivenciou nesta quinta-feira (8) um dia de intensos protestos por parte de agricultores, que tomaram as ruas de Paris em um ato contra o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul.
Os manifestantes, organizados por diversas associações e sindicatos, expressaram suas preocupações em meio às negociações do acordo de livre comércio que envolve Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. A agitação ocorre em um momento crítico, à medida que a votação do acordo se aproxima.
Além das questões comerciais, os agricultores também levantaram bandeiras contra a gestão do governo francês em relação a uma doença contagiosa que tem afetado o rebanho bovino.
“Estamos entre o ressentimento e o desespero. Temos uma sensação de abandono, e o Mercosul é um exemplo disso”, declarou um dos líderes sindicais durante a manifestação.
Os protestos se intensificaram com a presença de tratores que bloquearam a famosa avenida Champs-Élysées e outras vias importantes, como a A13, resultando em enormes congestionamentos que se estenderam por 150 quilômetros, conforme informado por autoridades locais.
Esse movimento de descontentamento pressiona ainda mais o governo do presidente Emmanuel Macron, que enfrenta um dilema político em um contexto eleitoral delicado, com as eleições municipais se aproximando e a ascensão da extrema direita nas pesquisas.
A FNSEA, o maior sindicato agrícola francês, já anunciou planos para uma nova manifestação em Estrasburgo no dia 20 de janeiro, caso o acordo seja aprovado, o que demonstra a crescente insatisfação entre os trabalhadores do setor agrícola.
Recentemente, a Comissão Europeia propôs um pacote de ajuda de 45 bilhões de euros para os agricultores, além de ajustes nas tarifas de importação de fertilizantes, na tentativa de conquistar o apoio de países que estão hesitantes em endossar o Mercosul.
Os agricultores também exigem o fim da política de abate de bovinos relacionada à doença da dermatite nodular, argumentando que as medidas são excessivas e pedindo alternativas, como a vacinação, além de expressarem preocupações sobre os altos custos e a regulamentação do setor.
Votação no Mercosul esperada para sexta-feira
A oposição ao acordo continua firme na França, e mesmo após algumas concessões, a posição final do presidente Macron ainda é incerta. O pacto é um tema sensível para o governo, especialmente com o cenário eleitoral em vista.
“Este tratado ainda não é aceitável”, afirmou uma porta-voz do governo, sem esclarecer se Macron apoiará ou se abstém de votar.
A ministra da Agricultura, Annie Genevard, reiterou que, independentemente do apoio da UE ao acordo, a França continuará a lutar contra ele no Parlamento Europeu, onde a aprovação final também é necessária.
O acordo recebe apoio de países como Alemanha e Espanha, e a Comissão Europeia está próxima de garantir o apoio da Itália, o que poderia assegurar os votos necessários para a aprovação, mesmo sem o apoio francês.
A votação sobre o acordo está marcada para sexta-feira (9), e os agricultores franceses permanecem em alerta, prontos para intensificar suas ações se suas demandas não forem atendidas.
