Agro brasileiro será destaque na nova fase da inteligência artificial, afirma empresa espanhola
O agronegócio brasileiro lidera a adoção da inteligência artificial em suas operações.
O agronegócio no Brasil está na vanguarda da chamada “segunda onda” de inteligência artificial, conforme afirma um especialista do setor. Essa tecnologia, que já começou a ser incorporada em processos fundamentais, está mudando o cenário competitivo do país.
Atualmente, o Brasil não está mais apenas experimentando a inteligência artificial, mas a está integrando a processos essenciais. Essa transição é descrita como um divisor de águas no ambiente de negócios.
Estudos mostram que aproximadamente 40% das empresas brasileiras já utilizam ferramentas de inteligência artificial, alinhando o país com os mercados mais avançados da Europa. Os resultados são notáveis, com 95% dessas empresas reportando aumento na receita e 96% observando melhorias na produtividade.
No setor agropecuário, esses dados se refletem em eficiência operacional, controle aprimorado de processos e maior capacidade de adaptação às demandas do mercado, especialmente em cadeias de produção altamente reguladas, como as de soja e carne, e nas exportações dessas commodities.
A digitalização de contratos, automação de pedidos, rastreabilidade de documentos e o uso de análises preditivas já estão fazendo parte das operações de grandes empresas e estão começando a ser adotadas também por médias empresas. Essa mudança demonstra como a inteligência artificial pode gerar resultados financeiros concretos no agronegócio.
O que foi a ‘primeira onda’?
A primeira fase da transformação digital no agronegócio brasileiro foi marcada pela digitalização dos processos. Com a introdução da inteligência artificial, o setor está alcançando um novo patamar: a inteligência operacional.
Aplicações como análise de linguagem natural e automação de fluxos de trabalho estão impactando áreas críticas, incluindo compliance, gestão de fornecedores, certificações internacionais e controle de qualidade, que são fundamentais para empresas exportadoras.
No Brasil, onde a cadeia agroindustrial é ampla e fragmentada, a inteligência artificial aborda um problema estruturante: a dispersão de informações. A integração e interpretação de dados, desde a fase de contratação até o embarque no porto, são facilitadas pela IA.
‘A segunda onda’
A “segunda onda” de inteligência artificial representa uma mudança estratégica. Se antes a IA era utilizada de forma pontual, o foco agora é na automação de ponta a ponta dos processos de negócios no agronegócio.
Isso implica a integração da inteligência artificial em toda a cadeia documental e operacional, abrangendo desde a recepção de insumos até a comercialização e exportação, incluindo certificações, faturamento, logística e conformidade regulatória.
A vantagem competitiva se encontra não apenas na automatização de tarefas, mas na orquestração completa de processos através da inteligência artificial. Isso é crucial, pois muitas empresas utilizam IA, mas poucas conseguem extrair um valor financeiro significativo, sendo aquelas que redesenham seus fluxos de trabalho de maneira integrada as que mais se destacam.
Gestão documental inteligente
No atual cenário, a gestão documental passou a ter um papel estratégico no agronegócio brasileiro. Existem plataformas que permitem a automação na captura de documentos, extração de dados via IA, gerenciamento dinâmico de fluxos de trabalho e acesso a informações através de linguagem natural.
Os resultados são impressionantes: processos que antes levavam dias agora podem ser concluídos em horas, com total rastreabilidade.
Essa transformação impacta diretamente operações como a gestão de contratos com produtores, cooperativas e tradings, controle de certificações internacionais, integração com sistemas ERP e CRM, além da otimização de compras e vendas, reduzindo erros operacionais e riscos regulatórios.
Em um setor que enfrenta margens apertadas e alta complexidade operacional, essas melhorias são essenciais.
Pressão regulatória
O ambiente regulatório global, especialmente voltado para exportações, impõe desafios adicionais ao agronegócio brasileiro. A rastreabilidade, compliance ambiental e segurança de dados são cada vez mais exigências nos mercados internacionais.
A inteligência artificial, portanto, não é apenas uma ferramenta de eficiência, mas um recurso para garantir conformidade
