Agro defende equilíbrio entre China e EUA após eleição, afirmando que frango não tem partido

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China observa com cautela suas relações comerciais na América Latina, especialmente com o Brasil.

A China tem demonstrado uma postura cautelosa em relação aos seus investimentos na América Latina, buscando identificar onde suas relações comerciais são bem-vindas e onde não são.

Essa análise foi apresentada pela especialista em China, que atuou como assessora especial do Ministério da Agricultura. Durante um evento em São Paulo, ela discutiu o futuro da segurança alimentar no Brasil e os impactos para o agronegócio nacional.

Em uma entrevista, a especialista comentou sobre a percepção de Pequim em relação ao resultado do primeiro turno da eleição presidencial brasileira, que viu um senador à frente do atual presidente. A cautela da China está ligada ao receio de que o Brasil e outros países da região se alinhem mais aos Estados Unidos sob a administração anterior.

Essa preocupação, segundo a especialista, começou durante o primeiro mandato do ex-presidente dos EUA e se intensificou no segundo. Os documentos internos dos Estados Unidos têm deixado claro que a América Latina é vista como uma região de influência norte-americana.

“Os chineses não querem se estabelecer em locais de confronto porque isso impõe um risco muito grande. Os investimentos precisam fazer sentido econômico e só serão realizados se houver estabilidade jurídica”, destacou a especialista, que coordena um programa no Centro Brasileiro de Relações Internacionais.

Para o agronegócio brasileiro, os investimentos chineses têm sido fundamentais para superar desafios de infraestrutura e aumentar a competitividade dos produtos nacionais no exterior. Um exemplo claro é a necessidade de manter a carga refrigerada durante o transporte de carnes, o que exige contêineres especiais e portos adequados.

Os investimentos chineses têm viabilizado a competitividade das exportações brasileiras, sendo um fator crucial para o setor. Um exemplo disso é a participação da Cofco no terminal STS11, no Porto de Santos, que é utilizado para a exportação de produtos agrícolas.

Além disso, a TCP, controlada pela China Merchants Port, ampliou a estrutura de tomadas para contêineres refrigerados no Porto de Paranaguá, aumentando a capacidade de armazenamento e preservação das cargas até o embarque.

A avaliação da especialista é compartilhada por outros líderes do setor, que enfatizam que o agronegócio não deve ser influenciado por questões políticas. A segurança alimentar do Brasil e de outros países depende da preservação das relações comerciais, independentemente do governo em exercício.

“Frango não tem partido nem ideologia. O agronegócio trabalha para a segurança alimentar brasileira e de 170 países”, afirmou o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal.

O Brasil, sendo um dos maiores fornecedores de alimentos do mundo, deve manter relações comerciais sólidas com todos os parceiros, incluindo os Estados Unidos e a China. A China, atualmente, é o maior comprador de produtos agropecuários brasileiros, seguida pela União Europeia e pelos Estados Unidos.

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