Agrotóxicos potencializam o surgimento de superbactérias resistentes a herbicidas
Estudo revela ligação entre herbicidas e resistência a antibióticos.
Um dos herbicidas mais utilizados globalmente, o glifosato, pode estar contribuindo para o aumento das superbactérias resistentes a antibióticos, segundo novas pesquisas.
A resistência antimicrobiana é uma grave ameaça à saúde pública, causando mais de um milhão de mortes anualmente. Embora tradicionalmente associada ao uso excessivo de antibióticos, estudos recentes sugerem que herbicidas também podem influenciar a seleção de microrganismos resistentes.
Cientistas analisaram mais de 100 cepas bacterianas de diversos ambientes, como hospitais, áreas agrícolas, confinamentos de gado e uma reserva natural próxima ao delta do Paraná, na Argentina, para investigar a questão.
Os resultados foram alarmantes. Todas as amostras bacterianas coletadas em hospitais mostraram alta resistência ao glifosato e a herbicidas que contêm essa substância. Além disso, 74% dessas amostras apresentaram resistência a carbapenêmicos, antibióticos frequentemente usados como último recurso em infecções graves.
Os pesquisadores apontam que essa resistência pode facilitar a disseminação de bactérias resistentes a medicamentos para além dos ambientes hospitalares, especialmente em áreas onde o glifosato é aplicado.
Surpreendentemente, até mesmo as bactérias coletadas na reserva natural, onde o herbicida não foi utilizado, mostraram resistência ao glifosato. Isso sugere que o ciclo da água pode atuar como um meio de transporte para microrganismos resistentes entre áreas agrícolas e outros ecossistemas.
Necessidade de testes adicionais
A equipe de pesquisa observou que as bactérias de hospitais, fazendas e ambientes naturais apresentavam características genéticas semelhantes em relação à resistência ao herbicida, indicando que esses microrganismos podem circular entre diferentes ecossistemas.
Embora os resultados não provem que o glifosato gera superbactérias diretamente, indicam que o herbicida pode favorecer a sobrevivência e propagação de bactérias já resistentes a antibióticos.
Diante dessa realidade, os autores do estudo recomendam que testes sobre os impactos na resistência antimicrobiana sejam incorporados nas avaliações de pesticidas antes de sua liberação para uso comercial.
