Alberto Fernández desferiu ataque a Milei ao criticar visita de mandatário ao Brasil

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Ex-presidente argentino critica atual presidente em meio a crise diplomática com o Brasil.

O ex-presidente da Argentina, Alberto Fernández, utilizou suas redes sociais para criticar o atual presidente Javier Milei, chamando-o de “energúmeno”. A declaração surge em um contexto de tensão diplomática entre Argentina e Brasil.

Fernández fez a postagem em resposta a comparações feitas entre sua visita a Lula em Curitiba, em 2018, e a tentativa de Milei de visitar Jair Bolsonaro, que se encontra em prisão domiciliar. A visita de Milei foi impedida devido a uma proibição imposta pelo ministro do STF, Alexandre de Moraes, que restringiu visitas de caráter “político-eleitoral”.

“Milei foi ao Brasil para gritar como um energúmeno, exigindo ver um golpista preso. Eu fui a Curitiba exigindo a liberdade de um inocente. Hoje Lula é Presidente do Brasil e Bolsonaro está preso por promover um golpe de Estado. Insultar o presidente de um país irmão e principal sócio comercial não tem perdão”, afirmou Fernández.

A proibição das visitas a Bolsonaro foi estabelecida após a divulgação de uma carta escrita pelo ex-presidente, que, segundo Moraes, violou as condições de sua prisão domiciliar. O ministro ressaltou que a medida se deve à perda dos direitos políticos de Bolsonaro, resultante de sua condenação relacionada a tentativas de golpe.

Fernández, identificado como kirchnerista, uma vertente do peronismo de esquerda, tem sido um aliado de Lula em várias questões internacionais. A tensão aumentou com a visita de Milei ao Brasil, que gerou uma crise diplomática entre os dois países.

Milei também fez comentários sobre a candidatura de Flávio Bolsonaro, vinculando-a a uma transformação política na América Latina, e se referiu a Lula como “presidiário”. Essa retórica acentuou a insatisfação nas relações bilaterais.

O governo brasileiro, por sua vez, convocou embaixadores para discutir as declarações de Milei, uma ação considerada uma demonstração de descontentamento e busca por esclarecimentos. A nota do Ministério das Relações Exteriores descreveu a situação como “sem precedentes” e “lamentável”.

Em sua declaração, o ministério destacou a gravidade das ofensas dirigidas ao chefe de Estado brasileiro e às instituições democráticas, enfatizando a longa amizade e cooperação entre Brasil e Argentina.

Em entrevista, o chanceler Mauro Vieira qualificou as declarações de Milei como “ríspidas, grosseiras e inaceitáveis”, e afirmou que foram uma interferência em assuntos internos do Brasil. Vieira também mencionou a ausência de precedentes recentes para esse tipo de manifestação por um chefe de Estado estrangeiro em território brasileiro.

Por enquanto, o governo brasileiro não planeja adotar medidas diplomáticas mais severas, como a retirada da representação brasileira na Argentina, preferindo manter canais de diálogo e buscar esclarecimentos de forma diplomática.

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