Alckmin afirma que declaração de Bolsonaro é factoide para desviar do caso Master
Vice-presidente critica designação de facções brasileiras como terroristas pelos EUA.
O vice-presidente Geraldo Alckmin se manifestou sobre a recente classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos Estados Unidos, considerando-a uma estratégia da família Bolsonaro para desviar a atenção de questões de corrupção relacionadas ao Banco Master.
Durante uma agenda em Caraguatatuba, no litoral de São Paulo, Alckmin afirmou que essa manobra é um “factoide” criado para desviar o foco do maior escândalo de corrupção e sonegação de tributos no país. Ele criticou a postura dos membros da família Bolsonaro, enfatizando que suas ações visam mais seus interesses pessoais do que os do Brasil.
Alckmin também alertou que essa designação não trará resultados efetivos no combate ao crime e poderá ter repercussões negativas na economia do país.
Na noite anterior, os Estados Unidos anunciaram oficialmente a designação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas. Este anúncio coincidiu com um encontro entre o secretário de Estado dos EUA e o senador Flávio Bolsonaro, que é pré-candidato à presidência, e que havia se reunido com o ex-presidente Donald Trump dias antes.
Informações reveladas por veículos de comunicação expuseram mensagens de áudio de Flávio Bolsonaro solicitando apoio financeiro ao dono do Banco Master para a produção de uma cinebiografia de seu pai, com valores significativos já acordados para o projeto.
Política externa dos EUA sob Trump
O governo de Donald Trump tem reorientado sua política externa em relação à América Latina, intensificando ações militares na região sob a justificativa de combater o que é denominado “narcoterrorismo”.
Nos últimos meses, as forças militares dos EUA realizaram bombardeios a embarcações no Caribe, fora de sua jurisdição, como parte de suas operações contra o terrorismo.
A invasão da Venezuela no início do ano, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e sua esposa, foi também justificada com base na luta contra o narcoterrorismo.
Embora o alcance de ações similares no Brasil, baseadas nessa nova designação, seja incerto, o risco de intervenção externa se torna uma preocupação real.