Alckmin é oficialmente confirmado como candidato a vice de Lula nas eleições de outubro
Geraldo Alckmin deixa ministério para concorrer nas eleições e critica bolsonarismo em evento com Lula.
Geraldo Alckmin, até abril deste ano, ocupava os cargos de vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Ele deixou o ministério para se candidatar nas eleições, conforme a legislação eleitoral.
Em uma cerimônia do partido em Brasília, Alckmin fez duras críticas ao bolsonarismo, acusando o movimento de distorcer o lema “Deus, pátria e família”, que se tornou um símbolo da extrema direita no Brasil.
Na presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que participou do evento, Alckmin ressaltou que “não é possível falar em liberdade querendo derrubar a democracia”. Ele também recordou a tentativa de golpe de Estado que ocorreu após o resultado das eleições de 2022.
Alckmin afirmou que “quem não acredita na democracia não deveria nem disputar eleição, não deveria pedir voto”, enfatizando a importância do povo como protagonista nas eleições.
Aos 73 anos e com 54 anos de experiência política, Alckmin filiou-se ao PSB em 2022, durante a formação da “frente ampla”, uma coalizão criada para derrotar Jair Bolsonaro, então candidato à reeleição.
Após mais de 30 anos no PSDB, partido de centro-direita, Alckmin foi um crítico contundente do PT e governou o estado de São Paulo em quatro mandatos, o qual nunca foi administrado pelo Partido dos Trabalhadores.
São Paulo, além de ser a unidade da federação mais rica do Brasil, concentra cerca de 21% do eleitorado nacional, com 34,1 milhões de eleitores aptos a votar.
A relação entre Alckmin e Lula é relativamente nova, considerando que ambos foram adversários históricos, inclusive na eleição presidencial de 2006, quando Lula foi reeleito.
Na corrida presidencial de 2018, Alckmin terminou em quarto lugar no primeiro turno, com apenas 4,76% dos votos.
Durante sua gestão em São Paulo, Alckmin ficou conhecido por promover privatizações de empresas estatais e pela atuação de uma polícia frequentemente criticada pela repressão a professores em greves, além de seu estilo discreto e frases prontas.
Por conta de sua falta de carisma, recebeu o apelido de “picolé de chuchu”, uma referência ao vegetal considerado sem sabor.
Nos últimos anos, Alckmin buscou modernizar sua imagem pública, utilizando memes nas redes sociais, gravando vídeos bem-humorados e adotando meias coloridas em eventos.
Desde a eleição de Lula, Alckmin conquistou a simpatia de setores da esquerda, demonstrando ser um aliado fiel do presidente e evitando disputas de protagonismo no governo.
Devido à sua experiência à frente do estado mais industrializado do país, Lula confiou a Alckmin o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), com a tarefa de facilitar o diálogo entre o governo e o setor industrial, que historicamente é mais resistente à esquerda.
Em entrevistas, o vice-presidente costuma afirmar que “sempre foi muito bem recebido” no PT, se descrevendo como o “copiloto” de Lula.
Durante o evento, Lula declarou que pode “dormir tranquilo” com Alckmin como vice-presidente, afirmando que “com Alckmin, a gente nunca vai pensar que vai dormir e ter um golpe no dia seguinte de manhã”.
A frase foi interpretada como uma crítica ao ex-presidente Michel Temer, que foi vice de Dilma Rousseff em 2016 e acusado por setores da esquerda de ter contribuído para o impeachment da petista.
No próximo domingo, o PT realizará uma cerimônia para oficializar a candidatura de Lula da Silva, que disputará um quarto mandato presidencial aos 80 anos. Lula governou o Brasil pela primeira vez entre 2003 e 2010.