Alcolumbre se opõe à pressão para acabar com a escala 6×1 e afirma que não aceita ameaças
Presidente do Senado defende autonomia na votação da PEC da escala 6×1
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, manifestou-se em relação às críticas sobre a condução da PEC que visa acabar com a escala 6×1, reafirmando que não cederá a pressões para acelerar a votação por motivos eleitorais.
Durante seu discurso no plenário, Alcolumbre destacou que o debate em torno da proposta não deve ser utilizado como instrumento de campanha política. Ele enfatizou que a pressão para deliberar a PEC antes das eleições é inadequada e não deve ser aceita.
“Eu tenho um discurso de uma autoridade importante do Brasil que disse que a PEC da escala 6×1 precisa ser deliberada agora, antes da eleição, porque ela vai servir para o calendário eleitoral. Pode isso? Não pode isso”, afirmou Alcolumbre, ressaltando a necessidade de um debate sério e despolitizado.
Ninguém contra trabalhadores
Alcolumbre criticou a ideia de que parlamentares que não votarem rapidamente a proposta estariam contra os trabalhadores, considerando isso uma forma de constrangimento político. Ele questionou se essa abordagem não seria uma ameaça disfarçada, insinuando que a negativa em votar a favor da PEC significaria estar contra 37 milhões de trabalhadores que desejam um dia a mais de descanso.
“Sabe qual é o congressista que vai ficar contra 37 milhões de brasileiros na véspera da eleição? Nenhum”, afirmou, sublinhando que a maioria dos parlamentares está a favor da melhoria das condições de trabalho.
Críticas a manifestações
Sem mencionar nomes, Alcolumbre observou que uma autoridade chegou a solicitar publicamente pressão sobre a Presidência do Senado para que a proposta fosse pautada, além de mencionar manifestações com o slogan “Fora Alcolumbre”.
Ele considerou que tais declarações, que incitam a pressão sobre sua liderança, constituem uma ameaça. Para Alcolumbre, quem adota esse tipo de retórica parece mais preocupado com as eleições do que com as reais necessidades dos trabalhadores.
“Se é ‘Fora Alcolumbre’, essa autoridade não está pensando nos trabalhadores. Talvez esteja pensando na eleição”, declarou, enfatizando a desconexão entre a pressão política e as demandas laborais.
Atacado pelos dois lados
Alcolumbre também mencionou que sua tentativa de manter um equilíbrio entre governo e oposição tem gerado críticas de ambos os lados do espectro político. Ele reconheceu que essa posição, embora desafiadora, é essencial para o seu papel como presidente do Senado.
“Assim que é bom. Quando você tenta fazer o certo, naturalmente você vai ser atacado pelos dois lados”, afirmou, refletindo sobre sua experiência em um ambiente político polarizado.
O presidente do Senado ressaltou que optar por uma agenda única, seja da esquerda ou da direita, seria mais fácil, mas não condiz com sua função. Ele afirmou que sua missão é buscar um equilíbrio institucional em um momento de intensa divisão política.
“O que estou fazendo aqui, pagando um preço caríssimo, inclusive no CPF pessoal, é tentar equilibrar um país dividido”, concluiu Alcolumbre, reafirmando sua determinação em enfrentar as críticas com coragem e resiliência.
“Todo dia de manhã eu sou ofendido por um lado. À tarde eu sou ofendido pelo outro lado. E à noite eu sou ofendido pelos dois lados”, finalizou, demonstrando a complexidade de sua posição.
