Alemanha Desenvolve Estratégia Militar Inédita em Resposta à Ameaça Russa

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A Alemanha planeja aumentar seu efetivo militar para 460 mil soldados até 2030.

Diante do crescimento das ameaças internacionais, as Forças Armadas da Alemanha implementaram uma nova estratégia militar. O governo reconhece que o cenário global se tornou mais imprevisível desde o início da guerra da Rússia contra a Ucrânia, o que abalou profundamente a ordem jurídica internacional.

O ministro da Defesa, Boris Pistorius, enfatizou a urgência de uma estratégia militar, afirmando que “raramente foi tão necessária em uma fase histórica como agora”. O documento apresentado descreve a Rússia como a “maior e mais imediata ameaça previsível” à segurança da Alemanha e da Aliança Atlântica.

A Rússia está criando condições para um ataque militar contra os Estados-membros da Otan.

O documento também analisa como o Exército alemão, em operação há 70 anos, deve se preparar para possíveis cenários de guerra, incluindo um ataque russo a um país da Otan. A maioria das informações contidas no documento é classificada como sigilosa.

Pistorius destacou que tornar esses cenários públicos seria imprudente, mencionando que isso poderia facilitar a comunicação com líderes adversários.

Contingente aumenta a passos lentos

As Forças Armadas da Alemanha estão em um esforço contínuo para aumentar seu efetivo. O objetivo é ter 460 mil soldados e soldadas disponíveis até meados da década de 2030, com 200 mil em reserva.

A meta é estabelecer o exército convencional mais forte da Europa em quatro anos, aumentando a prontidão defensiva em resposta às exigências crescentes da Otan para seus membros.

Recrutar esse número de pessoal tem se mostrado um desafio significativo, como reconheceu Pistorius. Apesar das campanhas intensivas de recrutamento, o crescimento tem sido lento. No final de março, o número de militares ativos era de 185,4 mil, um aumento de apenas 3,3 mil em relação ao ano anterior.

Desburocratização e modernização

Pistorius tem grandes expectativas para o novo serviço militar, lançado no início do ano, que combina incentivos e obrigações, incluindo a convocação de exames médicos para todos os jovens do sexo masculino. O objetivo é aumentar o número de voluntários nas Forças Armadas.

Se essas medidas não forem suficientes, o serviço militar obrigatório, que foi suspenso em 2011, poderá ser reativado. No entanto, o secretário de Estado do Ministério da Defesa, Nils Hilmer, afirmou que essa não é uma prioridade no momento.

Um dos focos do governo é a desburocratização e modernização das Forças Armadas. Atualmente, os soldados enfrentam uma quantidade excessiva de regulamentos e formulários, o que consome tempo e recursos.

Para resolver isso, o Ministério da Defesa revisou as regras e planeja implementar 153 medidas com 580 etapas concretas. Pistorius anunciou que todas as regras internas terão um prazo de validade, e se não forem mais úteis, serão eliminadas automaticamente. Uma carteira digital também está sendo desenvolvida para reunir documentos pessoais importantes dos integrantes das Forças Armadas.

Estratégias para longo prazo

Os planos apresentados pela Alemanha não estabelecem metas rígidas, mas são considerados “documentos vivos”, passíveis de ajustes contínuos. A estratégia inclui um papel de liderança mais forte da Alemanha na Otan, aliviando parte do ônus da defesa da aliança dos Estados Unidos.

Com a nova estratégia, o Exército alemão busca flexibilidade e uma nova mentalidade.

Na oposição, Ulrich Thoden, porta-voz do partido A Esquerda, afirmou que a estratégia militar é necessária diante da ameaça representada pela política agressiva da Rússia, mas ressaltou que isso não implica que a Alemanha deva se tornar uma potência militar. Enquanto isso, a demanda por se juntar às Forças Armadas está crescendo, mas também surgem movimentos de jovens se mobilizando contra o recrutamento.

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