Alerta extremo da Defesa Civil gera questionamentos sobre critérios de abrangência em bairros selecionados

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Secretário de Defesa Civil esclarece sobre alertas falsos que geraram confusão na madrugada.

Após um alerta sonoro inesperado disparado em celulares de diversas regiões do Brasil na madrugada de sábado, muitos moradores se questionaram sobre a razão pela qual alguns receberam a mensagem enquanto outros, mesmo em áreas próximas, não foram notificados.

📳 A explicação reside no funcionamento do sistema de alertas utilizado. O Defesa Civil Alerta opera com a tecnologia Cell Broadcast, que permite o envio de mensagens emergenciais para celulares que estão conectados à rede móvel em uma área específica.

Entretanto, isso não implica que as mensagens sejam entregues com base na localização exata de cada usuário, como ocorre em aplicativos de navegação.

Alerta da Defesa Civil com a palavra 'misantropia' tocou nos celulares dos moradores de Campo Grande.

De acordo com Thiago Ayub, diretor de tecnologia da Sage Networks, os técnicos da Defesa Civil podem desenhar áreas no mapa para determinar quem receberá o alerta. Também é possível selecionar um município inteiro a partir de uma lista pré-definida. Dessa forma, o alerta é transmitido pelas antenas de telefonia celular que cobrem a região escolhida.

Essa metodologia ajuda a entender por que moradores de diferentes bairros em uma mesma cidade podem ter experiências variadas. Se a área selecionada no mapa não incluir todo o município, alguns bairros podem não receber o alerta.

Em áreas metropolitanas, a mesma lógica se aplica a cidades vizinhas: uma pode estar dentro da área de disparo, enquanto outra, mesmo próxima, pode não estar incluída.

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Sobre o alerta indevido que foi enviado durante a madrugada, a Defesa Civil Nacional informou que a plataforma foi desativada às 1h30 após uma invasão. Segundo o órgão, o disparo foi realizado remotamente por uma pessoa externa ao Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil, possivelmente em um ataque hacker.

A mensagem, classificada como “Alerta Extremo”, continha a palavra “misantropia”, que significa ‘rejeição à humanidade’, e não estava relacionada a nenhuma situação real de risco.

O sistema considera a localização do celular ou da antena?

Conforme Ayub, o fator crucial para o recebimento da mensagem é a localização da antena de telefonia celular — tecnicamente chamada de Estação Rádio Base (ERB) — e não a localização precisa do dispositivo móvel.

Isso significa que o alerta é recebido porque o celular está conectado a uma antena que foi incluída no disparo. Portanto, uma pessoa próxima à divisa entre dois municípios pode receber um alerta destinado à cidade vizinha, caso seu celular esteja conectado a uma antena daquela área.

O oposto também pode ocorrer, embora seja menos comum: um usuário que deveria receber o alerta pode não recebê-lo se estiver conectado a uma antena que não foi incluída no disparo, estiver sem sinal ou se o aparelho não for compatível com a tecnologia.

Essa situação pode gerar confusão entre os usuários. Para quem observa do ponto de vista do bairro ou da rua, a pergunta é: “por que meu vizinho recebeu e eu não?”. Contudo, do ponto de vista técnico, a entrega depende da rede móvel e da antena que estava em uso no momento.

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