Algoritmos das grandes empresas de tecnologia se tornam novo foco de disputa eleitoral

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Debate sobre algoritmos das big techs destaca desigualdade no alcance político.

O debate em torno do alcance de conteúdos políticos e o funcionamento dos algoritmos das grandes plataformas digitais ganhou destaque, especialmente com a acusação de que as big techs favorecem determinados candidatos em detrimento de outros. A campanha do partido que representa Lula alega que a Meta, controladora do Instagram, Facebook e WhatsApp, impõe restrições que prejudicam a visibilidade de suas publicações, enquanto potencializa a distribuição de conteúdos de seus adversários.

Mensagens internas da Meta revelam discussões entre funcionários sobre problemas que afetaram as contas de Lula, além da recomendação indevida de perfis associados a Flávio Bolsonaro. Esses registros evidenciam uma preocupação com a equidade no tratamento dos candidatos nas plataformas digitais.

Um estudo realizado por uma organização dedicada ao combate à desinformação na internet aponta que vídeos do deputado federal Nikolas Ferreira têm alcançado, em média, mais visualizações do que publicações de celebridades internacionais renomadas, como Selena Gomez e Kim Kardashian. Essa discrepância no alcance levanta questões sobre o funcionamento dos algoritmos e sua influência nas campanhas eleitorais.

Recentemente, a Meta enfrentou críticas quando sua inteligência artificial, integrada ao WhatsApp, se recusou a criar conteúdos com o nome de Lula, mas permitiu a geração de imagens para Flávio e outros candidatos. A empresa se reuniu com o presidente do Tribunal Superior Eleitoral para discutir essas questões, indicando a seriedade do assunto.

Uma decisão judicial também foi tomada para proibir a Meta de restringir o alcance de conteúdos políticos relacionados aos candidatos. Durante um período crítico, a campanha de Lula ficou quase 24 horas sem poder impulsionar publicações, resultando em uma perda significativa de alcance, estimada em 1,3 milhão de pessoas que não receberam os anúncios.

Além disso, diálogos internos da Meta indicam que a conta de Lula estava “limitada” em comparação com a de Flávio, com funcionários expressando preocupações sobre possíveis ações judiciais. O sistema de buscas do Instagram também demonstrou falhas, com o perfil de Flávio sendo sugerido, enquanto o de Lula não aparecia nas pesquisas.

As interações entre as contas de ambos os candidatos mostraram que, embora houvesse problemas técnicos que afetaram ambos os lados, houve um padrão de restrições que levantam questões sobre a imparcialidade das plataformas. A Meta justificou os incidentes como problemas técnicos, negando qualquer favorecimento ou discriminação entre candidatos.

De acordo com a legislação brasileira, as big techs não podem recomendar perfis de candidatos por meio de seus algoritmos. O impulsionamento pago é a única forma permitida para ampliar a visibilidade das campanhas eleitorais. A discussão sobre o alcance das publicações na internet não se limita apenas às contas oficiais dos candidatos, mas também envolve a análise de como diferentes perfis se comportam nas plataformas.

Um relatório recente revelou que a conta de Nikolas Ferreira, que não investe em impulsionamento pago desde 2022, alcançou números impressionantes, superando até mesmo as visualizações de personalidades com milhões de seguidores. Essa análise sugere que o desempenho das contas políticas pode ser influenciado por fatores além do número de seguidores, levantando a necessidade de maior transparência nas práticas de distribuição de conteúdo das plataformas.

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