ANJ solicita investigação sobre violação de sigilo da jornalista Malu Gaspar
ANJ exige investigação sobre acesso a dados pessoais de jornalista por ex-banqueiro e publicitário.
A ANJ (Associação Nacional de Jornais) manifestou sua indignação e exigiu uma investigação imediata sobre as práticas de intimidação envolvendo a colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo.
Recentemente, mensagens obtidas pela Polícia Federal revelaram que Daniel Vorcaro, ex-banqueiro do Banco Master, e Thiago Miranda, publicitário da agência Mithi, acessaram informações pessoais e financeiras da jornalista. Esse acesso ocorreu em uma tentativa de influenciar suas apurações sobre o Banco Master.
Os diálogos, que foram extraídos do celular de Vorcaro, mostram que, a pedido dele, Miranda repassou dados sensíveis da colunista. A ANJ condenou veementemente essa atitude, classificando-a como métodos mafiosos que visam intimidar a liberdade de expressão e o trabalho jornalístico.
A associação também ressaltou a importância da proteção legal de dados pessoais, conforme estipulado pela LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados), e espera que as autoridades competentes realizem uma investigação rigorosa sobre o caso.
As comunicações entre Vorcaro e Miranda ocorreram entre março e abril de 2025. Durante essas trocas, eles tentaram mapear transações financeiras e a renda de Malu Gaspar, chegando à conclusão de que não encontraram informações comprometedoras.
Mesmo diante da falta de dados relevantes, Miranda expressou a necessidade de “calar” a jornalista, sugerindo inicialmente uma proposta de contratação milionária para que ela escrevesse para a revista IstoÉ, ligada ao grupo que controla a Entre Investimentos, utilizado por Vorcaro para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Posteriormente, a dupla abandonou a ideia inicial e considerou oferecer um contrato através do Grupo Leo Dias, do qual Miranda foi CEO até junho de 2025, mas essas propostas também não avançaram.
O Globo, em nota, repudiou a devassa na vida da colunista, destacando sua reputação como uma das jornalistas mais respeitadas do país e denunciando a tentativa de silenciar a imprensa, que revela um padrão de atuação de grupos criminosos.
A defesa de Vorcaro ainda não se pronunciou sobre o caso. O ex-banqueiro está detido desde março na Operação Compliance Zero, que investiga fraudes associadas ao Banco Master.
Além disso, Vorcaro contratou Miranda para gerenciar sua crise de imagem, e perfis ligados à sua agência realizaram ataques coordenados contra o Banco Central e seu ex-diretor, Renato Gomes. Os contratos com influenciadores, que somavam R$ 8 milhões, foram em grande parte suspensos após o início das investigações pela Polícia Federal em janeiro.
